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produção de qualidade e desafios fundiários no coração do Brasil


O setor agropecuário do Distrito Federal possui características únicas que o diferenciam do restante do país. À frente da Federação de Agricultura e Pecuária do Distrito Federal (Fape-DF), Fernando Cezar Ribeiro destaca que o fortalecimento das entidades de classe é essencial para garantir voz ativa aos produtores rurais.

“Quando temos as nossas entidades representativas fortes, o nosso segmento automaticamente é forte”, afirma Fernando em entrevista do Direto ao Ponto desta quinta-feira (17).

Criada em 2003 a partir do Sindicato Rural de Brasília, a federação se adaptou à realidade local — onde, por ser um único município, não se poderia contar com vários sindicatos assim como em outros estados com entidades em cada cidade. A solução encontrada foi a formação de sindicatos por atividade, como dos avicultores e suinocultores, com respaldo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

De acordo com o presidente da Fape-DF, outro ponto de destaque é a condição fundiária dos produtores de Brasília. Muitos não são proprietários de suas terras, mas possuem contratos de concessão de uso com a Terracap, empresa pública responsável pela gestão imobiliária da capital federal.

“Nós temos a particularidade de que grande parte dos produtores não são proprietários. Eles pagam pela cessão de direito de uso”, explica ele ao programa do Canal Rural Mato Grosso.

O presidente da Fape-DF lembra que, quando da construção de Brasília, o então presidente Juscelino Kubitschek tinha um sonho de transformar parte do território do Distrito Federal em um cinturão verde para que permitisse que os produtores rurais pudessem abastecer a nova Capital com verduras mais frescas ao invés de vim de fora.

Décadas depois, esse modelo de cessão de direito do uso da terra ainda prevalece, mas com um processo de regularização fundiária em curso, por meio da Empresa de Terras Rurais (ETR), ligada à Terracap.

Foto: Canal Rural Mato Grosso

Avicultura integrada: pilar da pecuária no DF

A avicultura comercial se consolidou como uma das principais atividades da pecuária no Distrito Federal operando majoritariamente sob o modelo de integração. Segundo Fernando, “praticamente toda a avicultura comercial aqui é vinculada ao sistema de integração”.

Brasília, inclusive, é um dos maiores polos de produção de ovos férteis do Brasil, com destaque tanto para o fornecimento de pintinhos quanto para a presença de produtores integrados com foco em carne de frango. Nesse sistema, o produtor entra com as instalações e a mão de obra, enquanto a agroindústria fornece ração, assistência técnica e define os parâmetros de remuneração.

Apesar da limitação territorial, a agropecuária do Distrito Federal se destaca pela qualidade e pela genética de excelência. Na pecuária de leite, há cerca de 90 mil cabeças, concentradas em uma bacia leiteira pequena, mas produtiva.

A capital federal também abriga o maior criador da raça bovina Wagyu no país — carne nobre de origem japonesa — além de referências em raças como Guzerá e rebanhos ovinos de destaque.

“A gente produz, mas produz com qualidade”, sintetiza Fernando.

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agro.mt

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