As cotações da soja na Bolsa de Chicago recuaram e atingiram o menor patamar em dois meses, pressionadas pela expectativa de maior aproximação comercial entre Brasil e China após as eleições brasileiras. A possibilidade de aumento das compras chinesas do produto brasileiro também influencia a competitividade da soja dos Estados Unidos no mercado internacional.
Segundo o analista de mercado Carlos Cogo, a desvalorização do real contribuiu para o movimento, ao favorecer a competitividade da soja brasileira. Na segunda-feira, a moeda americana chegou à faixa de R$ 5,50, antes de encerrar o dia próxima de R$ 5.
Com o dólar mais valorizado em relação ao real, a soja brasileira ganha competitividade no mercado externo, o que pode estimular a demanda internacional pelo produto nacional. Além disso, a expectativa de aproximação entre os governos brasileiro e chinês reforça a perspectiva de ampliação dos negócios entre os dois países.
Apesar da queda, as cotações em Chicago voltaram a apresentar recuperação na manhã seguinte, embora ainda sem reverter completamente o movimento anterior.
A perspectiva de aumento das compras chinesas pode alterar o fluxo internacional de comercialização da soja, especialmente com a aproximação do fim da colheita norte-americana e a expectativa de entrada da nova safra brasileira no mercado.
De acordo com Cogo, os Estados Unidos vinham cumprindo um compromisso informal de compra de 25 milhões de toneladas de soja por ano, ao longo de 2026, 2027 e 2028. Até o momento, as aquisições chinesas de soja norte-americana já ultrapassaram 12 milhões de toneladas.
O avanço das compras também foi favorecido pela colheita nos Estados Unidos, que se aproxima do fim, e pela competitividade dos preços da soja americana em relação ao produto brasileiro.
Com o encerramento da colheita norte-americana, a expectativa é de que a China volte a direcionar parte maior da demanda ao Brasil. Segundo o analista, a soja brasileira poderá recuperar vantagem competitiva em relação à americana, favorecendo o desempenho das exportações nacionais.
A entrada da nova safra brasileira, prevista a partir de janeiro, deve ser um dos fatores que contribuirão para ampliar a oferta do produto no mercado internacional e favorecer as exportações para a China.
O ritmo de plantio da safra 2026/27 também entra no radar do mercado. Na avaliação de Cogo, a semeadura avançava normalmente, com cerca de 40% da área plantada no momento da entrevista.
A expectativa de maior demanda chinesa representa uma oportunidade para os produtores brasileiros, mas o comportamento dos preços internacionais, a taxa de câmbio e a competitividade da soja de outros países continuarão influenciando a formação das cotações e as decisões de comercialização.
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