Além do desafio de manter o abastecimento regular de produtos da cesta básica nos mercados, produtores têm enfrentado dificuldades para preservar a qualidade dos alimentos ao longo de toda a cadeia de comercialização. Essas condições podem contribuir para o aumento dos preços. Na segunda semana de outubro, o valor médio da cesta básica em Cuiabá subiu 3,60%, alcançando R$ 934,85.
Após permanecer estável na semana anterior, o custo da cesta voltou a subir, ampliando a diferença em relação ao mesmo período de 2025. O valor atual está 15,85% acima dos R$ 806,98 registrados naquele período, conforme levantamento do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT).
Ao comentar o resultado, o presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, conhecido como Tião da Zaeli, destacou o impacto da alta dos alimentos no orçamento das famílias. “A aceleração da cesta básica na segunda semana de outubro evidencia uma intensificação das pressões sobre o custo da alimentação, impulsionada pela alta simultânea de produtos importantes para o consumo cotidiano.”
Dificuldades na produção e na logística encarecem alimentos
Entre os produtos que contribuíram para a alta semanal, a batata registrou o maior aumento de preço. A elevação de 20,14% levou o preço médio a R$ 8,50/kg, valor 113,80% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Segundo a análise do IPF-MT, apesar da oferta elevada do tubérculo, o calor intenso tem reduzido sua qualidade e dificultado a logística. Esse cenário pode elevar os custos dos produtos de melhor qualidade, capazes de resistir ao transporte sem sofrer danos.
Situação semelhante foi observada no tomate, que registrou alta de 19,35% e chegou ao preço médio de R$ 14,56/kg. A oferta do fruto está restrita, pois as chuvas nas principais regiões produtoras têm prejudicado a qualidade e dificultado a colheita, fatores que podem ter contribuído para a elevação dos preços.
A banana também registrou alta semanal de 10,00%, alcançando o preço médio de R$ 9,18/kg. O calor intenso e a alta umidade têm acelerado o processo de maturação do fruto, dificultando a logística. Essa condição exige o escoamento mais rápido da produção para evitar perdas.
Ao abordar os efeitos das perdas ao longo da cadeia de comercialização, Tião da Zaeli ressaltou que os problemas de conservação podem encarecer os alimentos mesmo quando não há uma redução generalizada da produção. “A alta dos alimentos perecíveis evidencia que perdas durante a colheita, o transporte e a comercialização podem elevar o custo do produto disponível para consumo, mesmo sem uma redução generalizada da produção.”
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