Às vésperas do segundo turno, o governo transforma o fim da escala 6×1 em bandeira política, como se bastasse anunciar mais descanso para produzir automaticamente uma vida melhor. É uma velha fórmula eleitoral: promete-se o benefício, omite-se o custo e deixa-se para depois a tarefa de explicar quem pagará a conta.
O trabalhador merece descanso, melhores condições de vida e salários dignos. Mas merece também respeito à inteligência. Não existe almoço grátis na economia, e nenhuma canetada em Brasília faz desaparecer o custo de produzir.
Reduzir a jornada sem reduzir diretamente os salários significa elevar o custo da hora trabalhada para as empresas, caso a produtividade não compense a diferença. Quem mantém um restaurante, uma padaria, um supermercado ou um pequeno comércio sabe que não é possível fechar as portas quando a lei muda. Será necessário reorganizar turnos, contratar mais gente, investir em tecnologia ou reduzir o funcionamento.
E quem não conseguir absorver essa despesa fará o quê? Aumentará os preços, cortará investimentos, deixará de contratar ou reduzirá sua operação. Em alguns casos, poderá até fechar as portas. Não é terrorismo econômico. É uma realidade que qualquer empresário conhece.
A consequência pode ser perversa: uma medida anunciada como proteção ao trabalhador pode dificultar a entrada de jovens no mercado, reduzir oportunidades de emprego e pressionar a renda no médio prazo. A redução salarial direta não está prevista na proposta, mas isso não elimina os riscos indiretos sobre salários, contratações e preços.
O pequeno empresário não tem uma máquina de fabricar dinheiro. Tem contas a pagar, impostos, aluguel, fornecedores e funcionários que dependem do negócio para viver. Quando o governo aumenta seus custos sem considerar a realidade de cada setor, não está oferecendo um benefício gratuito: está transferindo uma despesa para alguém que terá de encontrar uma maneira de pagá-la.
É justamente isso que me revolta na política econômica de Lula: a insistência em vender medidas populares sem enfrentar com a mesma disposição suas consequências. O governo anuncia, celebra e faz propaganda. Depois, a conta aparece no caixa das empresas, no preço das mercadorias e na dificuldade de conseguir uma vaga.
E o momento escolhido torna tudo ainda mais questionável. Uma mudança profunda nas relações de trabalho ganha impulso às vésperas de uma eleição presidencial. O trabalhador recebe a promessa; o governo colhe o dividendo político; e os efeitos econômicos ficam para depois. Se isso não exige um debate sério sobre oportunismo eleitoral, não sei o que exigiria.
Não sou contra reduzir a jornada quando isso é economicamente viável. Sou contra tratar uma questão complexa como peça de propaganda. Uma mudança responsável exige estudos de impacto, negociação, atenção às diferenças entre setores e medidas que permitam elevar a produtividade. O que não se pode fazer é confundir uma intenção desejável com um resultado garantido.
Mato Grosso conhece o valor de quem trabalha e produz. Nossa economia cresceu graças a produtores, empresários e trabalhadores que assumiram riscos e investiram. Nenhuma prosperidade duradoura nasce da hostilidade contra quem emprega. Sem empresas saudáveis, não há empregos sustentáveis; sem produtividade, não há aumento consistente de salários.
É por isso que defendo uma mudança de rumo e apoio Flávio Bolsonaro. O Brasil precisa de responsabilidade fiscal, liberdade para empreender, menos burocracia e um governo que compreenda que a riqueza não nasce de anúncios oficiais, mas do trabalho, do investimento e da capacidade de produzir.
O trabalhador brasileiro não precisa de promessas que escondam os custos. Precisa de emprego, renda, segurança e oportunidades reais para melhorar de vida. E merece que os governantes tratem seu futuro com seriedade, em vez de usá-lo como argumento de campanha.
A escala 6×1 pode mudar por lei. A conta, porém, não desaparece: será paga por empresas, consumidores e trabalhadores, de uma forma ou de outra. O que o governo precisa explicar é por que anuncia o benefício com tanta facilidade e deixa para os brasileiros a responsabilidade de arcar com as consequências.
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*RODRIGO ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.*
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