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Falhas na energia travam irrigação e expansão do agro em Gaúcha do Norte


A qualidade do fornecimento de energia elétrica se tornou um dos principais entraves à expansão do agronegócio em Gaúcha do Norte, em Mato Grosso. As oscilações na rede comprometem o funcionamento de pivôs de irrigação e secadores de grãos, elevam os custos de produção e dificultam novos investimentos em armazenagem, em um município com potencial para ampliar significativamente a área agrícola.

A energia que abastece Gaúcha do Norte vem de Paranatinga, e a estrutura existente já não atende plenamente à demanda do setor produtivo. A deficiência afeta propriedades rurais de diferentes tamanhos e obriga parte dos produtores a recorrer à geração própria para manter as operações.

O problema ocorre em um cenário de expansão das lavouras de soja, algodão e milho. Atualmente, o município planta cerca de 250 mil hectares, mas a área pode ultrapassar 400 mil hectares, conforme estimativa apresentada pela prefeitura. Para aproveitar esse potencial, o setor produtivo aponta a necessidade de reforçar a infraestrutura elétrica.

O impacto também chega à armazenagem. Segundo representantes do setor rural, o custo de secar grãos com motores a diesel já levou ao fechamento de um armazém, reduzindo a capacidade de atendimento à produção local.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Oscilações elevam custos e prejudicam a irrigação

Nas propriedades rurais, as falhas no fornecimento provocam interrupções frequentes e podem danificar equipamentos. O produtor Adalberto Grando relata que as oscilações de tensão afetam os sistemas de irrigação e os secadores, exigindo manutenção e substituição de componentes ao longo da safra.

“A parte irrigada é difícil você passar um ciclo de irrigação sem ter uma troca de um relê, de um disjuntor. Oscila, a tensão oscila muito”, afirma ao Patrulheiro Agro.

Segundo Grando, as falhas também comprometem o funcionamento dos secadores durante a operação e podem interromper a irrigação sem que o problema seja percebido imediatamente. Mesmo com uma usina solar instalada para atender parte da demanda, o produtor gasta entre R$ 60 mil e R$ 80 mil por mês com energia destinada à irrigação.

O produtor afirma também que a infraestrutura necessária para levar energia até a propriedade exigiu investimentos próprios, mas a qualidade do fornecimento continua sendo um problema. Ele ressalta que a equipe local da concessionária atende às solicitações, mas aponta a subestação como um dos pontos que precisam ser melhorados.

A situação também limita o aproveitamento dos equipamentos instalados. Para evitar danos provocados pelas oscilações, Grando relata que, em determinados períodos, os painéis dos pivôs são retirados e guardados, o que acrescenta dificuldades à operação.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Falta de energia limita armazenagem e novas safras

A deficiência na rede elétrica também afeta a capacidade de recebimento e secagem da produção. De acordo com Valdomiro Schulz, presidente do Sindicato Rural de Gaúcha do Norte, o custo de operar equipamentos com motores a diesel inviabilizou a atividade de um armazém no município.

“Até um armazém já fechou por falta de energia porque o custo para fazer a secagem de grãos a motor a diesel se torna muito alto”, conta Schulz à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Atualmente, o município conta com apenas duas empresas de armazenagem, de acordo com o representante do sindicato. A instalação de novas unidades é considerada importante para ampliar a capacidade de recebimento e permitir que os produtores organizem melhor o calendário agrícola.

Com mais armazéns disponíveis, seria possível acelerar o plantio da soja e antecipar a colheita, favorecendo a janela para a semeadura do milho de segunda safra, destaca o setor produtivo. A limitação da infraestrutura, portanto, interfere não apenas na operação das propriedades, mas também no planejamento de toda a produção.

A prefeitura também aponta dificuldades no atendimento às fazendas. Segundo Davi Ismael Widmann, gerente do Índice de Participação dos Municípios (IPM), um levantamento realizado em conjunto com uma empresa identificou que, entre 35 propriedades analisadas, apenas uma tinha atendimento integral às necessidades de energia, conforme os dados apresentados.

Widmann comenta ainda que propriedades rurais chegam a consumir 700 litros de óleo diesel por dia no pico da colheita para gerar a própria energia. O cenário, segundo ele, prejudica diferentes atividades agrícolas, incluindo a produção de algodão e milho, além da soja. “O nosso município está muito carente. E não é só soja, produção de algodão também. Já somos o terceiro maior produtor da região e um dos maiores produtores de milho segunda safra da região também”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Irrigação pode ampliar produtividade

A expansão da irrigação é outra frente diretamente condicionada à melhoria do fornecimento elétrico. A propriedade de Adalberto Grando possui outorga de água para irrigar 1.260 hectares, dos quais 520 hectares já contam com o sistema instalado. Outros 740 hectares poderão ser incorporados à estrutura.

O potencial de ampliação é significativo porque a irrigação permite maior controle sobre o fornecimento de água às lavouras e pode favorecer a realização de mais de um ciclo produtivo ao longo do ano. No entanto, a instabilidade da energia impede o pleno aproveitamento da estrutura.

“Como que eu vou ter uma despesa dessas, um investimento desses e se não me entregam o mínimo de qualidade?”, questiona Grando, ao apontar a diferença entre os custos assumidos pelo produtor e o serviço recebido.

Para o prefeito Ari do Prado, a capacidade de ampliar a produção está diretamente relacionada à melhoria da infraestrutura elétrica. Ele afirma que a meta é viabilizar condições para aumentar a produtividade e atrair novas atividades econômicas para o município.

“Onde tem um pivô você sabe que consegue fazer três safras dentro do ano, e hoje a gente não está conseguindo fazer isso, porque a energia é muito fraca”, declara.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Município pede reforço da rede elétrica

Além de atender à demanda atual do campo, a ampliação da infraestrutura é considerada necessária para sustentar o crescimento econômico de Gaúcha do Norte. O aumento da produção pode impulsionar a arrecadação municipal, gerar empregos e favorecer a instalação de empresas ligadas ao agronegócio.

O prefeito defende que a rede elétrica seja reforçada para acompanhar o avanço das atividades produtivas. Entre as demandas apresentadas está a chegada de uma linha de 138 kV ao município, apontada como importante para ampliar a capacidade de atendimento.

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A expansão da rede também é vista como condição para atrair indústrias e novos empreendimentos de armazenagem e processamento. Sem energia suficiente e de qualidade, parte do potencial agrícola pode continuar limitada pelos custos operacionais e pela dificuldade de ampliar a infraestrutura das propriedades.

“Gaúcha do Norte como município é pequeno, 10 mil habitantes, mas grande na extensão. Está plantando 250 mil hectares, porém pode passar de 400 mil hectares. Temos um bom relacionamento aqui com a Energisa. A perfeição é difícil, mas tenho certeza, Gaúcha já melhorou bastante a energia”, diz o prefeito.

Embora representantes locais reconheçam avanços no fornecimento e mantenham diálogo com a concessionária, o setor produtivo considera que a estrutura atual precisa acompanhar o ritmo de crescimento do município. A expectativa é que os investimentos permitam ampliar as áreas irrigadas, melhorar a logística da produção e criar condições para o desenvolvimento de novas atividades econômicas.

A reportagem do Canal Rural Mato Grosso entrou em contato com a Energisa e a empresa informou que recentemente operou em contingência na região em função de chuvas e ventos fortes. A companhia informou ser necessário avaliar cada caso individualmente. O que não foi possível até o fechamento desta edição.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro

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agro.mt

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