Mestre e doutor em agronomia, vinculado à consultoria Desafios Agro, de Chapadão do Sul (MS), o pesquisador Germison Tomquelski se apresenta como um entusiasta dos produtos biológicos na agricultura. “O Brasil precisa dos biológicos”, adianta Tomquelski. “Trata-se de um país de agricultura dinâmica, com vários cultivos, não tem quebra de ciclo de praga. Um sistema baseado somente em produtos químicos exige muitas pulverizações na safra”, ele resume.
Tomquelski faz uma ressalva, contudo, quanto à necessidade de o produtor procurar pelos fabricantes de biológicos que atendam a parâmetros específicos de qualidade, efetividade, potência, formulação e concentração de produtos.
“Biológicos são oito ou oitenta”, afirma o pesquisador. “Ou controlam pragas, por exemplo, ou não controlam. A questão é a qualidade, faz uma diferença enorme”, diz Tomquelski. “Já avaliamos produtos que controlam 70%, 80% e outros que controlam 10%. Só que frente a esses dos 10%, pode-se aumentar bastante a dose que, mesmo assim, não haverá resposta no tratamento”, ele exemplifica.
O pesquisador toma como exemplo experiências recentes da Desafios Agro diante de estudos sobre a aplicação de vírus, ou baculovírus, para controle de lagartas em soja e outros cultivos.
“Comparações mostraram diferenças significativas. Vírus potentes, com boa formulação, atingiram níveis elevados de controle, da ordem de 80%; outros chegaram a no máximo 20%, 30%”, continua Tomquelski. “Temos experiências excelentes com baculovírus de qualidade e recomendamos a adoção desses produtos, desde que tenham origem referenciada.”
Mercado e experiências do produtor
A atratividade do mercado de biológicos, que cresce safra após safra e já movimenta cerca de R$ 5,3 bilhões, com alcance de 107 milhões de hectares no ciclo 2025-26 (dados da consultoria Kynetec), resultou no aumento do número de empresas comercializadoras desses insumos.
Na avaliação do pesquisador, os indicadores do setor poderiam ser ainda mais robustos, se uma parcela representativa de produtores, resistente aos biológicos, aderisse com mais força à aplicação desses insumos.
“Muitos produtores aplicaram bioinsumos que não entregaram resultados satisfatórios. Passaram então a ter dúvidas quanto à eficácia dos produtos e assim colocar em xeque sua efetividade”, resume Germison Tomquelski.
Em contrapartida, o pesquisador enxerga nos dias de hoje um movimento contínuo, impulsionado por setores do agronegócio, no sentido de diferenciar as boas empresas comercializadoras de biológicos daquelas, cujos produtos, não atendem à expectativa do produtor.
“O mercado está fazendo naturalmente essa segregação, com base na qualidade, concentração, na formulação e na comprovada relação custo-benefício dos produtos biológicos”, observa Tomquelski. “Mas ainda há produtos ruins, que não têm atividade, eficácia e interferem na percepção do produtor no todo, prejudicando as boas empresas do setor”, ele conclui.
Fonte: Assessoria de imprensa
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