As exportações de soja e algodão de Mato Grosso tiveram movimentos opostos em setembro de 2026. Enquanto os embarques da oleaginosa recuaram 49,71% em relação a agosto, os envios de pluma avançaram 52,17% na mesma comparação, refletindo a sazonalidade da oferta das duas culturas. Os dados são do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgados em boletim semanal.
No caso da soja, a redução mensal não impediu que o estado ampliasse o volume exportado no acumulado do ano. Entre janeiro e setembro, foram enviados ao mercado internacional 30,97 milhões de toneladas, alta de 6,15% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Já o algodão iniciou o ciclo 2026/27 com maior participação nos embarques nacionais. Em setembro, Mato Grosso exportou 94,41 mil toneladas de pluma, o equivalente a 52,52% do volume brasileiro comercializado no exterior no mês.
A diferença entre os resultados está relacionada, principalmente, ao momento de disponibilidade dos produtos. Enquanto a oferta de soja diminui após o período de maior concentração dos embarques, a colheita e o beneficiamento do algodão ampliam a quantidade de fibra disponível para exportação.
A China permanece como principal destino da soja mato-grossense, concentrando 59,13% do volume enviado ao exterior entre janeiro e setembro. No algodão, Índia, Bangladesh e Turquia responderam juntos por 52,80% dos embarques estaduais no acumulado de agosto e setembro, indicando a relevância desses mercados para o escoamento da produção.
O desempenho do algodão em setembro acompanhou o aumento dos embarques brasileiros. No país, as exportações de pluma somaram 191,55 mil toneladas, crescimento de 80,12% em relação a agosto e de 7,12% na comparação com setembro de 2025. Em Mato Grosso, além da alta mensal, o volume exportado ficou 18,17% acima do registrado no mesmo mês do ano passado.
A maior disponibilidade da fibra após a colheita da safra 2025/26 e o avanço do beneficiamento ajudam a explicar o resultado. A competitividade do algodão brasileiro também favorece a comercialização internacional, embora a cautela dos compradores ainda seja um fator a acompanhar.
Considerando agosto e setembro, primeiros meses do ciclo 2026/27, o Brasil exportou 297,89 mil toneladas de pluma, aumento de 16,24% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. Mato Grosso respondeu por 156,46 mil toneladas, com avanço de 30,07% na comparação anual.
A evolução dos embarques estaduais reforça o peso de Mato Grosso no comércio exterior da fibra. A continuidade desse desempenho, contudo, dependerá da capacidade de a demanda internacional absorver a produção disponível, fator que será determinante para o resultado das exportações ao longo do ciclo.
Para a soja, a perspectiva é de perda de ritmo nos próximos meses, diante da redução sazonal da disponibilidade do grão. Apesar disso, o volume acumulado até setembro sustenta a expectativa de que Mato Grosso encerre 2026 com exportações próximas às registradas no ano passado.
A trajetória das duas culturas, portanto, deve seguir condicionada a fatores distintos: a oferta disponível para embarque, no caso da soja, e a evolução da demanda externa, especialmente importante para o algodão no início do novo ciclo comercial.
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