Quatro empregadores de Mato Grosso foram incluídos na atualização de outubro de 2026 da “lista suja” do trabalho escravo, divulgada pelo governo federal. O cadastro reúne empregadores responsabilizados por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão.
Entre as irregularidades identificadas pelas fiscalizações estão alojamentos degradantes, falta de água potável e de instalações sanitárias adequadas, ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs) e problemas nas contratações. Veja abaixo quais são os empregadores incluídos na lista:
Trabalhadores resgatados em Nova Maringá
Vinte trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em uma área rural de Nova Maringá, a 392 km de Cuiabá, em setembro de 2025. O grupo trabalhava na extração de lenha em uma área desmatada.
Segundo a auditoria fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego, o local era de difícil acesso, isolado e sem meios de transporte público ou particular disponíveis. O ambiente também apresentava desordem e falta de higiene.
A empresa T. F. Zimpel Ltda., ligada a Taiany França Zimpel, foi incluída no cadastro. Na época do resgate, o Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que os trabalhadores haviam sido contratados pela empresa para realizar atividades de corte e empilhamento de madeira.
Dez trabalhadores de uma empresa de construção civil em Sorriso, a 420 km de Cuiabá, foram resgatados de condições análogas à escravidão enquanto estavam alojados em um ônibus adaptado como moradia durante a execução de obras.
A inspeção identificou condições precárias de higiene, conforto e segurança. O veículo tinha um banheiro sem vaso sanitário e pia, infestação de baratas, armazenamento inadequado de alimentos e instalações elétricas improvisadas, que ofereciam riscos de choques elétricos e incêndio.
Os trabalhadores faziam refeições em locais improvisados, não tinham espaço adequado para descanso e enfrentavam calor excessivo e falta de privacidade. A fiscalização também constatou problemas no fornecimento de água potável.
Foram identificadas ainda irregularidades trabalhistas, como o pagamento de parcelas salariais fora dos registros formais e falhas na gestão de riscos ocupacionais.
Os trabalhadores foram contratados e, ao invés de terem um alojamento, moravam dentro de um ônibus adaptado — Foto: Superintendência Regional do Trabalho de Mato Grosso
Em março de 2026, uma operação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel da Auditoria Fiscal do Trabalho resgatou 12 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em uma fazenda de Alto Taquari, a 480 km de Cuiabá.
A fiscalização constatou que a maioria dos trabalhadores havia sido recrutada em outros estados, principalmente no Maranhão e em Minas Gerais, por intermediadores de mão de obra. Apenas um deles tinha registro formal. Também foi identificado um adolescente exercendo uma atividade proibida para sua faixa etária.
Os alojamentos apresentavam problemas estruturais, condições inadequadas de higiene e instalações elétricas improvisadas. Os trabalhadores não tinham equipamentos de proteção individual, treinamentos obrigatórios ou assistência médica regular.
A operação também identificou jornadas excessivas, exposição a riscos de acidentes e ausência de um programa de gerenciamento de riscos nas atividades de corte de madeira e produção de carvão vegetal.
O pecuarista Onério Castanha voltou a aparecer na “lista suja” após uma nova inclusão relacionada à Fazenda Novo Astro, em Nova Bandeirantes. O registro atual envolve quatro trabalhadores.
Esta não é a primeira vez que o nome dele aparece no cadastro. Em 2012, o pecuarista já havia sido incluído na lista após uma fiscalização realizada na Fazenda Serrinha, também em Nova Bandeirantes. Na ocasião, 19 trabalhadores foram encontrados em condições análogas à escravidão na propriedade.
Como alguém vai parar na ‘lista suja’?
Denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma remota pelo Sistema Ipê, lançado em maio de 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho.
O sistema é o canal específico para denúncias de trabalho análogo à escravidão. O denunciante não precisa se identificar: basta acessar o sistema e inserir o maior número possível de informações.
A partir dessas informações, a fiscalização avalia se o caso de fato configura trabalho análogo à escravidão e, se necessário, realiza verificações no local.
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