Agentes estão preocupados com a possível menor oferta de trigo de boa qualidade, o que pode aumentar a dependência do Brasil de compras externas, além de elevar as cotações domésticas.
A baixa disponibilidade continua atrelada às incertezas sobre os resultados da safra de 2026, diante das condições observadas em campo – o clima desfavorável vem reduzindo a qualidade, o que pode diminuir também a produtividade. Esse cenário, aliado à valorização do cereal no mercado externo sustentou os preços domésticos.
Em setembro, o preço médio do trigo no Paraná foi de R$ 1.502,25/t, avanços de 5,1% em relação a agosto/26 e de 10,1% acima do registrado em setembro/25. Trata-se do maior valor desde julho/25, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI de agosto/26). No Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.390,92/t, altas de 4,9% frente a agosto/26 e de 9% na comparação anual, atingindo o maior valor real desde maio/25. Em Santa Catarina, o preço médio foi de R$ 1.428,39/t, o maior desde agosto/25, com aumentos de 4,7% no mês e de 3,8% em relação a setembro/25. Em São Paulo, por sua vez, a média atingiu R$ 1.512,81/t, o maior patamar desde julho/25, com avanços de 5% no comparativo mensal e de expressivos 19% no anual.
COLHEITA E ACOMPANHAMENTO DE CAMPO – Conforme dados divulgados pela Conab, 28,9% da área destinada ao cultivo de trigo no Brasil já havia sido colhida até 25 de setembro. No Paraná, conforme dados da Seab/Deral, as estimativas de rendimento e de produção para a safra de 2026 foram reduzidas. A produtividade, prevista em 54 sacas de 60 kg por hectare, caiu para 49 sacas por hectare devido às temperaturas acima da média e ao excesso de chuvas em agosto e setembro. Com a área estimada em 727 mil hectares, a perspectiva é de produção de 2,13 milhões de toneladas. Até o dia 28, 62% do trigo paranaense já havia sido colhido. Em campo, 64% das lavouras estavam em boas condições, 29%, em condições médias e 7%, em condições ruins. Quanto à fenologia, 57% estavam em maturação, 34%, em frutificação, 8%, em floração e 1%, em desenvolvimento vegetativo.
No Rio Grande do Sul, conforme dados divulgados pela Emater/RS, a colheita teve início na
região do noroeste e alcançou 1% da área até o dia 24 de setembro. Até o dia 20, as condições climáticas estavam, de modo geral, favoráveis. No entanto, as chuvas acompanhadas de ventos no dia 21 provocaram danos pontuais em algumas lavouras. Até o dia 24, 13% das lavouras estavam em maturação, 54%, em enchimento dos grãos, 23%, em floração e 9%, em desenvolvimento vegetativo.
OFERTA E DEMANDA DOMÉSTICA – As estimativas da Conab, divulgadas em setembro, reforçam a tendência de alta dos preços no mercado doméstico. Para a temporada de trigo de 2026, a Companhia aponta reduções na área, na produção e na produtividade, associadas à cautela dos produtores diante do risco climático.
Em setembro, a área foi estimada pela Conab em 1,927 milhão de hectares, a menor desde
2017 (quando foi de 1,916 milhão de hectares), quedas de 1% em relação à estimativa de agosto/26 e de expressivos 21,2% frente a 2025. A produção cedeu 1,3% no comparativo mensal e 27,1% no anual, sendo estimada em 5,74 milhões de toneladas, a menor desde 2019 (5,154 milhões de toneladas). A produtividade, por sua vez, recuou 0,3% de agosto para setembro e 7,5% em relação à safra anterior, para em 2,978 t/ha.
Os estoques iniciais para setembro/26 estão previstos em 1,765 milhão de toneladas, aumento de 19,2% em relação a agosto/26. Esse incremento compensou a redução da produção e das importações no balanço dos suprimentos internos (estoques iniciais + produção + importações), que aumentaram 1,1% entre agosto e setembro. As importações, por sua vez, recuaram 0,7% no comparativo mensal; no entanto, em relação à temporada anterior, devem aumentar 15%.
Por fim, a estimativa dos estoques finais foi elevada para 1,067 milhão de toneladas, volume 18,5% superior ao projetado no levantamento anterior, mas 39,5% inferior ao previsto para a safra de 2025.
OFERTA E DEMANDA MUNDIAL – O USDA, em relatório divulgado em setembro, elevou a estimativa de produção mundial de trigo para 2026/27 em 0,4% em relação à projeção de agosto, para 822,432 milhões de toneladas. Ainda assim, o volume é 2,6% inferior ao estimado para a temporada 2025/26.
O consumo mundial foi estimado em 826,745 milhões de toneladas, altas de 0,1% frente à estimativa de agosto e de 0,3% em relação a 2025/26. Os estoques finais foram elevados em 1,1% no comparativo mensal, para 276,291 milhões de toneladas, mas ficaram 1,5% abaixo dos da temporada anterior. Já o comércio internacional foi projetado em 213,176 milhões de toneladas, com recuos de 0,4% frente à projeção anterior e de 5,9% em relação a 2025/26.
MERCADO EXTERNO – O primeiro vencimento registrou expressiva alta nos comparativos mensal e anual, diante das dificuldades logísticas no embarque dos grãos para escoamento marítimo na região do Mar Negro, em meio ao conflito entre Rússia e Ucrânia. Assim, a média mensal do primeiro vencimento encerrou em US$ 7,1762/bushel (US$ 263,68/t) na Bolsa de Chicago, altas de 6,1% frente a agosto/26 e de expressivos 39% em relação a setembro/25. Na Bolsa de Kansas, a média alcançou US$ 7,8385/bushel (US$ 288,01/t), elevações de 4,9% no comparativo mensal e de fortes 57% no ano.
Na Argentina, segundo o Ministério da Economia, a média mensal dos preços FOB foi de US$ 260,73/t, altas de 6,5% frente a agosto/26 e de 15% em relação a setembro/25. Conforme a Bolsa de Cereales, apesar das chuvas e geadas pontuais em algumas regiões, cultura do trigo não foi afetada e 94,6% das lavouras estão em condições entre normal e excelente.
DERIVADOS DE TRIGO – Diante do aumento nos preços do trigo, os valores dos derivados também avançaram, refletindo o repasse da valorização da matéria-prima. Conforme dados do Cepea, de agosto para setembro, o farelo a granel se valorizou 3,05% e o ensacado, 1,64%. Para as farinhas, no mesmo comparativo, houve valorização de 3,5% para massas frescas; 3,2% para bolacha salgada; 3% para pré-mistura, 2,9% para massas em geral; 2,8% para bolacha doce e 2,7% para panificação. Para a farinha integral, houve retração mensal de 2%.
Fonte: Agromensais Cepea
As exportações brasileiras de suco de laranja recuperaram o fôlego no mês passado, depois de…
Vítima de 22 anos dormia no momento do ataque; suspeita foi detida em flagrante no…
Nascido em Rio Verde (GO), o engenheiro agrônomo e produtor rural Antônio Pimenta, de 67…
Quando começou esta eleição, minha escolha era outra. Eu apoiava Ronaldo Caiado. Via nele experiência…
Projeto de lei enviado para a ALMT propõe a criação de uma sociedade mista vinculada…
O algodão brasileiro mudou de posição no mercado internacional nas últimas décadas. De uma fibra…