O preço da soja em Mato Grosso atingiu em setembro o maior nível dos últimos dois anos, impulsionado principalmente pela maior demanda das indústrias pelo grão destinado ao esmagamento. Segundo dados do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), a saca alcançou R$ 140,85 em 30 de setembro, retomando um patamar que não era registrado desde o pico observado em 2024.
O movimento representa uma mudança significativa em relação ao início de 2026, quando as cotações permaneceram pressionadas pela elevada oferta de soja no Estado. Naquele período, o preço chegou a ficar abaixo de R$ 100 por saca, situação que não era observada desde março de 2024.
A recuperação das cotações ganhou força ao longo do terceiro trimestre de 2026, à medida que a indústria ampliou a procura pelo grão para processamento.
Maior demanda ajuda a sustentar preço da soja
No começo do ano, a disponibilidade elevada de soja em Mato Grosso limitava a valorização da oleaginosa. O cenário era resultado, principalmente, dos estoques acumulados após duas safras com produção elevada.
Mesmo com a demanda aquecida, o mercado interno não conseguia absorver todo o volume disponível, mantendo pressão sobre os preços.
A maior procura das indústrias pelo grão mudou esse cenário ao longo do terceiro trimestre. Com maior absorção da soja no mercado interno, as cotações reagiram e alcançaram o atual patamar.
A valorização também ocorreu em um momento de menor disponibilidade da safra 2025/26, o que estimulou os produtores a intensificarem a comercialização.
Com preços mais atrativos, as negociações avançaram tanto para a safra 2025/26 quanto para a 2026/27.
Imea mantém previsão para safra 2026/27
Enquanto o mercado acompanha a recuperação dos preços, o Imea manteve as estimativas para a próxima safra de soja de Mato Grosso.
A projeção indica uma produção de 48,88 milhões de toneladas, cultivadas em uma área estimada em 13,05 milhões de hectares.
A produtividade permanece projetada em 62,44 sacas por hectare.
O rendimento esperado, porém, fica abaixo do registrado nas duas últimas safras, que apresentaram resultados considerados excepcionais, com médias superiores a 66 sacas por hectare.
A diferença reforça a importância do comportamento climático durante o desenvolvimento das lavouras.
Chuvas e calor entram no radar dos produtores
Com o avanço dos trabalhos no campo, a distribuição e a continuidade das chuvas serão determinantes para confirmar o potencial produtivo estimado pelo Imea.
As condições climáticas poderão, inclusive, provocar revisões futuras nas projeções caso o comportamento das lavouras fique distante das expectativas iniciais.
Para as próximas semanas, um dos principais pontos de atenção é a previsão de temperaturas elevadas em dezembro.
O calor intenso pode interferir no desenvolvimento da cultura e, consequentemente, no potencial produtivo da safra 2026/27.
Dessa forma, o mercado de soja em Mato Grosso entra em uma nova fase, marcada pela recuperação das cotações, maior ritmo de comercialização e atenção redobrada ao clima para definir o desempenho da próxima safra.