A indústria de bioenergia colocou R$ 586,6 milhões em salários na economia de Mato Grosso em 2025. O valor equivale a 9% de toda a massa salarial da indústria estadual e ajuda a dimensionar o impacto das usinas de etanol e açúcar para além das unidades onde a produção acontece.
O efeito da atividade também aparece no mercado de trabalho. No ano passado, 10.760 pessoas estavam empregadas formalmente nas indústrias do setor, o equivalente a 5,3% dos postos formais de toda a indústria mato-grossense.
Quando entram na conta os empregos indiretos e induzidos pela cadeia, a estimativa supera 151 mil postos relacionados à bioenergia. O levantamento foi realizado pelo Observatório de Mato Grosso, ligado ao Sistema FIEMT, em parceria com o Bioind-MT.
A evolução do emprego ajuda a explicar esse peso crescente. Entre 2019 e 2025, os postos formais na produção de biocombustíveis e açúcar aumentaram 87% no estado, mais que o dobro do crescimento de 34% registrado nos demais segmentos industriais.
A presença das indústrias tem impacto especialmente forte em municípios onde a atividade passou a ocupar uma parcela expressiva do mercado de trabalho. Em Alto Taquari, 90% dos empregos industriais formais estão ligados à fabricação de etanol e açúcar. Em Nova Olímpia, são 85%.
Em Tapurah, os reflexos ultrapassam o ambiente industrial. Uma usina de etanol de milho começou a operar no município em outubro de 2025 e, segundo o presidente da Associação Comercial e Empresarial local, Flávio Anderson Breitenbach, já provocou aumento nas vendas de diferentes segmentos.
“A instalação da indústria foi algo muito positivo para o comércio da cidade, movimentou setores como aluguéis, mercados e serviços. São setores que tiveram um incremento nas vendas de cerca de trinta por cento”.
O impacto econômico acompanha uma expansão que ganhou força com o etanol de milho. Desde 2017, quando entrou em operação a primeira usina dedicada ao produto em Mato Grosso, o setor acumulou R$ 27 bilhões em investimentos. Atualmente, são 19 unidades em operação em 17 municípios.
Outras três usinas estão em construção e duas passam por ampliação, com cerca de R$ 6,8 bilhões em investimentos em andamento. Para o presidente do Bioind-MT, José Fernando Mazuca Filho, a distribuição das unidades ajuda a interiorizar os efeitos da atividade. “Essa capilaridade industrial, próxima das áreas produtoras, é um diferencial importante para Mato Grosso”, destaca.
Apesar do avanço, Mazuca ressalta que as indústrias operam em um cenário de pressão sobre as margens, diante de juros elevados, volatilidade das commodities e custos que nem sempre foram acompanhados pelos preços. “Ainda assim, a indústria continua se estruturando, investindo e buscando competitividade”, afirma.
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