Categories: Business

Indícios de um possível El Niño colocam o milho segunda safra no radar em MT


O comportamento das chuvas nos próximos meses pode influenciar não apenas o desenvolvimento da soja 2026/27, mas também o calendário do milho segunda safra em Mato Grosso. Com indícios de um possível El Niño e a previsão de regularização das precipitações a partir da segunda quinzena de outubro, produtores avaliam o momento de avançar com a semeadura e os reflexos das decisões sobre o ciclo seguinte.

O plantio da soja já começou no estado, mas ocorre de forma desigual entre as regiões. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que 1,15% da área estimada havia sido semeada até o dia 18 de setembro, índice 0,60 ponto percentual acima do registrado no mesmo período da safra anterior.

O Oeste lidera os trabalhos, com 2,19% da área plantada, seguido pelo Médio-Norte, com 2,16%, e pelo Norte, com 1,44%. No Sudeste, o índice é de 0,26%, concentrado principalmente em áreas irrigadas. No Vale do Guaporé, os trabalhos ainda não começaram.

Em Tapurah, na região Médio-Norte, as chuvas chegaram mais cedo e já permitiram o avanço da semeadura em algumas propriedades. O presidente do Sindicato Rural do município, Dirceu Luiz Dezen, relata que os volumes ultrapassaram 80 milímetros na maioria das áreas, o que garante 30% da área para o plantio do algodão após a colheita da oleaginosa.

Advertisement

A disponibilidade de umidade, entretanto, não significa que o produtor precise antecipar todas as operações. “O pessoal da safrinha de milho não está tão apressado porque não é necessário”, afirma Dezen, ao explicar que o uso de cultivares de soja com ciclos mais curtos permite avaliar com mais cautela o momento de entrada nas áreas.

A decisão também passa pelo comportamento do clima nas próximas semanas. O meteorologista do Canal Rural, Arthur Muller, orienta que os produtores que já receberam volumes superiores a 100 milímetros e possuem boa palhada podem avançar, enquanto aqueles que aguardam mais chuva devem observar a tendência de regularização das precipitações.

“Mas aquele produtor que está esperando por muito mais chuva aguarde, porque a tendência é dessa chuva só firmar a partir de outubro”, alerta ao projeto Mais Milho. Além da disponibilidade de água, o especialista chama atenção para o aumento da pressão de pragas e das temperaturas, que podem acelerar o ciclo da soja e afetar a produtividade.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Custos e decisões no plantio

A margem financeira mais apertada acrescenta outro elemento à definição do calendário agrícola. Conforme os dados apresentados pelo Imea, a rentabilidade projetada para a soja é 35,05% menor que a do ciclo anterior, enquanto o custo para produzir um hectare na safra 2026/27 chega a R$ 8.170,00.

O cenário reforça a necessidade de avaliar as condições antes de ampliar as operações. Em propriedades com irrigação, o plantio já avançou, mas as áreas de sequeiro dependem de uma distribuição mais consistente das chuvas.

Advertisement

Em uma propriedade do Grupo Bocch, em Sorriso, cerca de 40% da área irrigada já foi plantada. O gestor administrativo Cristiano Ricardo Coppini estima concluir essa etapa nos próximos dez dias. A fazenda deve cultivar 7,2 mil hectares de soja, dos quais aproximadamente 1.550 hectares são irrigados.

O acumulado de chuva na propriedade varia de 25 a 40 milímetros, volume que ainda não oferece segurança para avançar nas áreas de sequeiro. A situação exige que a equipe acompanhe a ocorrência de novas precipitações antes de ampliar o plantio.

A incerteza sobre a intensidade do possível El Niño também está presente no planejamento. Coppini afirma ao Canal Rural Mato Grossob que os investimentos foram mantidos em relação às safras anteriores, mas que a margem para erros diminuiu diante dos custos de produção.

“Não podemos errar de maneira nenhuma, nós temos que ser assertivo no momento da decisão do plantio”, destaca. A escolha das variedades, segundo ele, precisa considerar as características de cada área da fazenda.

O histórico de perdas em anos influenciados pelo fenômeno climático amplia a preocupação. O gestor lembra que a propriedade já registrou perdas de 40 sacas por hectare em determinadas safras e que, com os custos atuais, o cenário exige atenção redobrada.

Advertisement
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Janela da soja pode refletir no milho

O planejamento da segunda safra começa antes mesmo de a soja ser semeada em toda a propriedade. O momento de implantação, a duração do ciclo e as condições climáticas durante o desenvolvimento da cultura podem interferir na colheita e, consequentemente, na entrada do milho.

Para Arthur Muller, a influência do possível El Niño sobre o Brasil Central tende a ser mais percebida nos próximos meses. O oceano está aquecido, e a previsão aponta para uma regularização das chuvas a partir da segunda quinzena de outubro.

O meteorologista ressalta que o fenômeno não representa, necessariamente, uma quebra de safra em Mato Grosso. A preocupação está na distribuição das precipitações e na organização das operações ao longo do ciclo.

A perspectiva de chuvas mais intensas em dezembro e janeiro pode favorecer a disponibilidade hídrica, mas também exige atenção ao intervalo entre a colheita da soja e a implantação do milho segunda safra. É nesse período que o produtor precisa conciliar as atividades para aproveitar as condições de umidade. Segundo ele, a principal dificuldade pode estar na execução das operações dentro do calendário, e não necessariamente na interrupção antecipada das chuvas.

Diante desse cenário, um eventual atraso no plantio do milho não representa, por si só, um problema, desde que as condições climáticas permaneçam favoráveis. A avaliação deve considerar a evolução das chuvas e a possibilidade de aproveitamento dos volumes previstos para o fim do ano.

O acompanhamento das previsões meteorológicas também faz parte das decisões. Muller orienta os produtores a verificar a qualidade das informações utilizadas para o planejamento e a acompanhar a evolução do clima antes de definir as operações.

Advertisement

Em Sorriso, a expectativa do Grupo Bocch é que a regularização das chuvas possa contribuir para o avanço do plantio da soja e para o planejamento da segunda safra. “A gente acredita que no final de setembro, isso possa nos proporcionar um plantio, olhando lá também para uma safrinha de milho”, afirma Coppini.

+Confira mais notícias do projeto Mais Milho no site do Canal Rural

+Confira mais notícias do projeto Mais Milho no YouTube


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

agro.mt

Recent Posts

Abilio diz que Paula Calil continua no páreo pela presidência da Câmara de Cuiabá

Prefeito, que defende a permanência de aliada na função de presidente, disse que não jogará…

6 minutos ago

Canola avança no Brasil como opção rentável no inverno – MAIS SOJA

A canola começa a ganhar um papel mais estratégico dentro do sistema de produção brasileiro.…

18 minutos ago

VÍDEO: motorista morre em engavetamento envolvendo quatro carretas em MT

Acidente aconteceu perto do Trevão, em Rondonópolis (MT). Pista no sentido Campo Grande foi totalmente…

21 minutos ago

Acidente entre carretas em rodovia deixa quatro pessoas feridas em MT

Quatro ocupantes de uma das carretas foram encaminhados ao Hospital Municipal de Cuiabá; três estavam…

26 minutos ago

Cotonicultura brasileira busca competitividade em meio às mudanças no mercado global

A cotonicultura brasileira busca manter a competitividade em um mercado global marcado por mudanças na…

39 minutos ago

Criança de 5 anos fica ferida após carro invadir preferencial e derrubar moto em Campo Verde

Menor estava na garupa e precisou ser imobilizado e socorrido pelos Bombeiros. Condutor da motocicleta…

42 minutos ago