A abertura da janela de plantio da soja em Mato Grosso não significa, necessariamente, avanço imediato das máquinas pelo campo. Com o fim do vazio sanitário em 6 de setembro, os produtores estão autorizados a semear a safra 2026/27, mas, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a decisão de acelerar os trabalhos passa pela umidade do solo e pela regularidade das chuvas.
Esse cenário ganha peso diante da previsão de um El Niño de forte intensidade durante a primavera. Conforme o Imea em seu boletim semanal da oleaginosa, o RONI deve permanecer acima de 2,0 entre setembro e novembro, o que reforça a necessidade de acompanhamento das condições climáticas neste começo de ciclo.
A preocupação não está apenas na chegada da chuva, mas também no que acontece depois dela. Para os próximos dez dias, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê acumulados de 30 a 50 milímetros em grande parte de Mato Grosso. Se os volumes se confirmarem, podem melhorar as condições para a semeadura.
Por outro lado, a previsão de redução das precipitações na sequência mantém o alerta para as áreas que forem implantadas agora. Uma janela de chuva suficiente para colocar a semente no solo pode não representar, necessariamente, segurança para o estabelecimento das lavouras.
É nesse ambiente que Mato Grosso inicia uma safra projetada para ocupar 13,046 milhões de hectares, apenas 0,25% acima da área cultivada no ciclo anterior. A produtividade estimada pelo Imea, porém, é de 62,44 sacas por hectare, queda de 5,43%.
Na prática, o calendário autorizado é apenas uma das variáveis consideradas pelo produtor neste momento. A condição efetiva de cada área passa a ter peso maior para definir quando entrar com as máquinas e quanto avançar na semeadura.
Enquanto o Paraná já apresenta um ritmo mais acelerado, Mato Grosso e o Matopiba iniciam os trabalhos de forma mais gradual. A diferença reforça o peso que o regime de chuvas tem sobre o começo da temporada em cada região produtora.
Em Mato Grosso, os volumes previstos para os próximos dias podem favorecer uma evolução dos trabalhos. A confirmação das chuvas, entretanto, será importante para transformar a previsão em condição efetiva de plantio.
O comportamento posterior das precipitações também deverá ser acompanhado. Caso a redução prevista se confirme, as lavouras recém-semeadas poderão enfrentar um cenário menos favorável, tornando a distribuição das chuvas uma variável tão importante quanto o volume acumulado.
A atenção ao clima se conecta diretamente ao potencial produtivo projetado para a temporada. Com rendimento médio estimado abaixo do registrado em 2025/26, a produção estadual é calculada em 48,882 milhões de toneladas, retração de 5,19%.
Assim, o início da safra 2026/27 combina uma área praticamente estável com uma expectativa menor de produtividade. Antes de qualquer confirmação sobre o resultado final, o comportamento das chuvas nas primeiras semanas será um dos primeiros testes para as lavouras de Mato Grosso, ressalta o Imea.
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