Os embarques de soja e milho por Mato Grosso começaram a refletir momentos diferentes da comercialização das duas culturas. Em agosto, enquanto a soja perdeu espaço nas exportações do estado, o milho avançou com a entrada de maior volume do cereal no mercado após a colheita.
A diferença aparece nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Mato Grosso exportou 1,41 milhão de toneladas de soja em agosto, queda de 61% em relação a julho. No milho, foram 2,99 milhões de toneladas, alta de 89,48% no mesmo período.
O comportamento da soja também reduziu a participação de Mato Grosso nos embarques nacionais. O estado respondeu por 14,42% das exportações brasileiras da oleaginosa em agosto, contra 27,06% em julho.
No país, os embarques de soja somaram 9,81 milhões de toneladas no mês. Embora o resultado tenha recuado 26,82% em relação a julho, ficou 5,17% acima de agosto de 2025, sustentado pela disponibilidade do grão em estados com colheita mais tardia e pela demanda externa aquecida.
Para Mato Grosso, porém, a combinação foi diferente. A comercialização da safra 2025/26 se aproxima do encerramento, reduzindo a disponibilidade para exportação, enquanto o mercado interno mantém demanda aquecida pela oleaginosa.
A mudança no ritmo das exportações ocorre à medida que o milho passa a contar com maior disponibilidade. Historicamente, os embarques do cereal ganham força a partir de agosto, período que coincide com a finalização da colheita em Mato Grosso.
Mesmo com o avanço de 89,48% sobre julho, o volume exportado em agosto ficou 24,95% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025. O resultado mostra que o crescimento mensal dos embarques não significa, neste momento, repetição do ritmo observado no ano anterior.
Parte da produção tem encontrado espaço dentro do próprio estado. O fortalecimento da demanda doméstica, principalmente por parte das usinas de etanol de milho, tem sustentado os preços do cereal e aumentado a competitividade do mercado local diante das exportações.
Ainda assim, o mercado externo continua sendo necessário para o escoamento da produção mato-grossense. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que 24,10 milhões de toneladas de milho da temporada 2025/26 sejam destinadas à exportação.
Desse total, cerca de 19,53 milhões de toneladas ainda precisam ser embarcadas nos próximos dez meses. O volume é 3,50% superior ao registrado no mesmo intervalo do ciclo anterior.
A tendência, portanto, é de aumento do ritmo das exportações de milho nos próximos meses, enquanto a soja deve perder espaço nos embarques de Mato Grosso à medida que a disponibilidade da safra 2025/26 diminui.
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O post Soja perde força e milho acelera nas exportações de Mato Grosso apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
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