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Ucrânia: brasileiros se alistam pela internet


Um rapaz que morava em Primavera do Leste foi morto na guerra da Ucrânia após pisar em uma mina terrestre, e isso me causou grande inquietude. Como assim? Como alguém pode sair do conforto de sua casa para enfrentar uma luta em outro país? Enquanto muitos fogem da guerra, outros vão ao encontro dela?

Eu fiquei sabendo da morte por meio de um rapaz que conheci e que estava prestando serviços na minha casa. Nós tínhamos combinado um trabalho, e ele o remarcou por conta da morte do cunhado, o que, por si só, já era uma fatalidade.

Quando ele foi realizar o trabalho, eu, mais do que depressa, fui prestar meus sentimentos e perguntei o motivo da morte. Quase caí dura no chão quando ele disse que o rapaz havia morrido na guerra.

Confesso que, em um primeiro momento, pensei que ele estivesse tirando onda com a minha cara, por conta da situação inusitada e para lá de irreal, já que moramos no Brasil e não estamos em guerra com ninguém.

Como jornalismo e curiosidade caminham juntos, fui tentar entender o que estava acontecendo, e ele relatou algo assustador e preocupante. Algo que beira a ficção quando olhamos pela perspectiva de uma pessoa comum.

Segundo ele, o rapaz sempre teve o sonho de ser militar e de lutar em uma guerra. Então, foi seduzido por postagens nas redes sociais e se alistou no exército pela internet, com a promessa de pagamento mensal de R$ 25 mil, livre de qualquer custo.

E essa adesão de brasileiros não é novidade, tanto que o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) emitiu alertas severos sobre o risco de morte, desaparecimento ou ferimentos graves nos combates. Tudo para tentar evitar que jovens brasileiros caiam nessa teia de aliciamento e assinem contratos para se juntar às trincheiras internacionais.

O nome do jovem morto, caso alguém queira procurar informações, como eu fiz depois da conversa, é Patrick Steffan Cavalcante. Segundo meu conhecido, ele tinha pouco mais de 20 anos, morava em Primavera do Leste e trabalhava com maquinários agrícolas. Eu procurei informações sobre ele na internet e encontrei também uma conta no LinkedIn, na qual ele figura como operador de máquina em Sapezal.

Agora, o que restou foram parentes brasileiros desolados, que não sabem se um dia poderão velar o corpo do parente, uma vida jovem perdida e nenhuma restituição financeira ou pagamento.

Caroline Rodrigues é jornalista há mais de 20 anos, mestre em Comunicação, escreve sobre temas diversos, fala de tudo e se especializou em muitos nadas. Veja mais artigos em: https://seguindoforadalinha.substack.com_

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