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Próxima safra exige mais gestão de riscos diante de crédito caro e clima extremo – MAIS SOJA


O agronegócio brasileiro inicia o planejamento da próxima safra diante de um cenário cada vez mais complexo. Embora o Brasil mantenha posição de destaque entre os maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, produtores rurais convivem com uma combinação de fatores que eleva a incerteza sobre os investimentos no campo, a exemplo do crédito com juros altos, eventos climáticos extremos e dificuldades de acesso ao Seguro Rural.

Especialistas avaliam que esse conjunto de desafios deverá influenciar diretamente as decisões sobre aquisição de máquinas, expansão das áreas cultivadas, adoção de novas tecnologias e estratégias de gestão de risco nos próximos meses. O planejamento agrícola passou a incorporar, além dos preços das commodities, variáveis econômicas, climáticas e financeiras que impactam diretamente a rentabilidade das propriedades.

Crédito cresce, mas investimentos perdem ritmo

Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), elaborados com base nas informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central, mostram que as contratações de crédito rural para a agricultura empresarial continuam em expansão. Apesar do crescimento no volume contratado, o próprio governo observa uma desaceleração nas operações destinadas a investimentos, reflexo do aumento do custo do financiamento e da maior cautela dos produtores diante do cenário econômico.

Nesse contexto, instrumentos privados como a Cédula de Produto Rural (CPR) vêm ganhando importância como alternativa para complementar o financiamento da atividade agropecuária, reduzindo a dependência exclusiva do crédito oficial.

Seguro Rural torna-se um dos principais obstáculos

Além do crédito, outro fator que preocupa o setor é o acesso ao Seguro Rural. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, subsidia parte do custo da contratação das apólices e é considerado um dos principais instrumentos de gestão de risco da atividade agropecuária brasileira.

Embora o programa seja estratégico para proteger a renda dos produtores, entidades do setor têm alertado que os recursos disponíveis frequentemente não são suficientes para atender toda a demanda nacional, especialmente em anos de maior risco climático. O próprio Mapa disponibiliza, por meio do Atlas do Seguro Rural, dados públicos sobre a contratação das apólices, valores subvencionados e indenizações pagas.

Em 2026, o orçamento destinado ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural sofreu bloqueio de R$ 461,7 milhões, equivalente a 45,7% dos recursos inicialmente previstos para a política pública, aumentando a preocupação de produtores, seguradoras e cooperativas quanto à disponibilidade de cobertura para a próxima safra.

Sem uma cobertura adequada, muitos produtores acabam assumindo integralmente os prejuízos provocados por secas, geadas, enchentes, granizo ou ondas de calor, comprometendo sua capacidade de investimento na safra seguinte e elevando o risco de endividamento.

Clima amplia riscos

As mudanças climáticas vêm aumentando a frequência de eventos extremos em diversas regiões produtoras, tornando o planejamento agrícola cada vez mais dependente de informações meteorológicas, manejo conservacionista, irrigação e tecnologias de adaptação.

Tecnologia ganha protagonismo

Com margens de lucro mais pressionadas, cresce a adoção de tecnologias como agricultura de precisão, drones, inteligência artificial, sensores e softwares de gestão para otimizar o uso de insumos, reduzir desperdícios e aumentar a produtividade. Nesse cenário, startups especializadas em gestão de riscos ganham espaço, como a Agroboard, startup Premium do SNASH (SNA Startup Hub), cuja plataforma integra informações comerciais, financeiras e operacionais, permitindo o monitoramento de contratos, precificação, operações de hedge e indicadores de mercado em tempo real.

“Considero muito importante o produtor entender, principalmente, que gestão de riscos é um processo. Ela é uma cultura; uma atividade que o produtor precisa fazer todo santo dia. Ele deve revisar dados, olhar mercado e suas posições de forma agregada, debater com um consultor ou alguém que também possa auxiliar dentro desse processo e monitorar dentro da Agroboard”, afirmou Danilo Lombardi, CEO da Agroboard. Segundo ele, decisões baseadas em dados, custos de produção e tendências de mercado são fundamentais. “O mais importante para o produtor é que lucro bom é lucro no bolso.”

Lombardi explica que a plataforma oferece ferramentas para formação de preços, acompanhamento de compras, vendas, operações de barter e rentabilidade, permitindo proteger os resultados do negócio. “Num momento que o mercado está, principalmente com um ano que tem se confirmado um ano de super El Niño, que vai se estender até o ano que vem, ou seja, a gente tem um risco climático muito grande. Além disso, ainda estamos passando por turbulências geopolíticas mundiais e muitas incertezas”, ressaltou, destacando que a gestão de riscos precisa fazer parte da rotina do produtor para enfrentar um cenário cada vez mais desafiador.

Competitividade dependerá da capacidade de adaptação

Mesmo diante dos desafios, especialistas avaliam que o Brasil continuará ocupando posição estratégica no abastecimento global de alimentos. Entretanto, a competitividade do agronegócio dependerá cada vez mais da combinação entre acesso ao crédito, fortalecimento do seguro rural, inovação tecnológica e capacidade de adaptação às mudanças climáticas, fatores que deverão orientar o planejamento das próximas safras.

Fonte: SNA –  Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
agro.mt

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