Os efeitos do fenômeno El Niño reforçam os cuidados que o agricultor do Brasil deve ter com o manejo de solo. A aplicação de calcário agrícola, uma das práticas que garantem bons resultados no campo, segue pelo menos 30% abaixo do necessário. A elevação dos custos com insumos também é um fator de risco no cenário.
Conhecida como calagem, a aplicação do calcário está atrasada em boa parte do país, justamente pela expectativa de que os custos diminuam ao longo da safra. A conclusão vem da assembleia da Associação Brasileira dos Produtores de Calcário (Abracal), realizada no último dia 26 de junho. Representantes da indústria de corretivos de acidez de solo apontam o adiamento dos cuidados com a terra em pelo menos 4 regiões do país – Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.
Este cenário preocupa diante das previsões de que o El Niño terá de média a forte intensidade até o final do segundo semestre. Há estimativa de calor extremo nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e temporais no Sul. Dependente de clima regular, o agronegócio terá desafios.
Presidente da Abracal, João Bellato Júnior recorda que o consumo de calcário agrícola ficou na casa dos 61,3 milhões no ano passado, ante 59,6 milhões em 2024. “A estimativa hoje é de um recuo no consumo este ano. Porém, esperamos que eventuais mudanças no cenário façam com que pelo menos repitamos os números de 2025”, conta Bellato.
Uma das mudanças seria a queda dos preços dos fertilizantes, que subiram com os conflitos na Ucrânia e no estreito de Ormuz. O calcário corrige a acidez do solo e amplia os efeitos do fertilizante. Eventuais quedas nos preços do óleo diesel também contribuirão para um cenário melhor, tanto no transporte como na aplicação dos insumos.
De forma geral, o cenário financeiro dos agricultores afeta o os passos do agronegócio brasileiro. No Centro-Oeste e Sudeste, os empresários também aguardam preços melhores nos fertilizantes para agir. Em regiões como o Sul, chuvas e calor extremos deixam o produtor rural menos otimista. A boa notícia da aplicação vem de alguns pontos do Nordeste e no Matopiba, com bons números.
Fonte: Abracal
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