O Brasil abriga quase oito em cada dez startups voltadas ao agronegócio da América Latina e do Caribe. É o que revela a primeira edição do Radar Agtech América Latina e Caribe (LAC), levantamento coordenado pela Embrapa que identificou 2.656 agtechs em 23 países da região. Desse total, 2.075 estão no Brasil, o equivalente a 78% das empresas mapeadas.
O estudo será lançado nesta terça-feira (23), durante o World Agri-Tech South America Summit, em São Paulo, e estará disponível gratuitamente em português, espanhol e inglês.
Realizado em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Homo Ludens e SP Ventures, o levantamento amplia a metodologia utilizada pelo Radar Agtech Brasil e, pela primeira vez, analisa o ecossistema de inovação agropecuária em toda a América Latina e o Caribe.
Além da liderança brasileira, o levantamento mostra que Argentina (158 agtechs), México (110), Chile (91), Colômbia (79) e Uruguai (74) aparecem na sequência entre os países com maior número de startups do setor.
Segundo o analista da Embrapa Agricultura Digital e um dos autores do estudo, Aurélio Favarin, os resultados mostram que o ecossistema regional está em processo de consolidação.
“Os dados demonstram que a América Latina e o Caribe estão passando por um processo consistente de amadurecimento do ecossistema de inovação agropecuária”, afirma.
Apesar disso, o estudo aponta que dez dos 33 países da América Latina e do Caribe não registraram nenhuma agtech. De acordo com os pesquisadores, fatores como pequena extensão territorial, baixa população, reduzida atividade agropecuária e limitações na obtenção de dados ajudam a explicar esse cenário.
Pela primeira vez, o Radar também identificou as cadeias produtivas atendidas pelas startups da região.
A maioria das empresas atua em múltiplos segmentos do agro. Entre as cadeias específicas, os cultivos agrícolas concentram o maior número de startups, com 751 empresas, seguidos pela pecuária de corte (136), horticultura e fruticultura (88) e silvicultura (84).
O estudo mostra ainda que as soluções digitais são o principal foco das agtechs latino-americanas.
Ao todo, 1.404 startups oferecem tecnologias como softwares de gestão, sensores, drones, plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial voltadas ao agronegócio. Em seguida aparecem as soluções físico-químicas (403) e biológicas (374).
Outra conclusão do levantamento é que a maior parte das startups desenvolve soluções voltadas para o ambiente produtivo, ou seja, “dentro da porteira”.
As tecnologias são direcionadas principalmente para aumentar a eficiência operacional, melhorar a gestão das propriedades rurais, apoiar o monitoramento das lavouras e rebanhos e auxiliar a tomada de decisão dos produtores.
Para o coordenador de Digitalização Agroalimentar do IICA, Federico Bert, o levantamento servirá como referência para fortalecer o ecossistema de inovação em toda a região.
Segundo ele, conhecer o estágio de desenvolvimento das agtechs é fundamental para estimular investimentos, criar conexões entre os países e acelerar a adoção de novas tecnologias no agronegócio latino-americano.
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