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Região líder na produção de milho inicia a colheita sob pressão de custos e preços baixos


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita do milho segunda safra começou no médio-norte de Mato Grosso, principal região produtora de milho do país. Em municípios como Ipiranga do Norte, as máquinas já avançam sobre as áreas semeadas mais cedo, enquanto os agricultores acompanham com atenção um cenário marcado por preços considerados insuficientes para garantir lucro.

As primeiras áreas colhidas foram plantadas no início de janeiro e representam uma pequena parcela da safra. Conforme o presidente do Sindicato Rural de Ipiranga do Norte, Éder Ferreira Bueno, a colheita já alcança cerca de 10% das áreas mais precoces em algumas propriedades, como é o caso da sua.

“Aqui na minha propriedade eu tenho o costume de colher milho em maio, até porque você consegue pegar um precinho um pouco melhor ”, relata ao Canal Rural Mato Grosso.

Apesar do início dos trabalhos em algumas fazendas, o avanço da colheita no município ainda é tímido. “Eu acredito que no geral do município a gente deve ter 2%, 3%, no máximo 5% colhido”, afirma. De acordo com o dirigente rural, a retirada dos grãos do campo está apenas começando.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Clima favoreceu o desenvolvimento das lavouras

O clima trouxe condições favoráveis para o desenvolvimento das lavouras nesta temporada. Éder Bueno relata que as chuvas ocorreram de forma regular ao longo do ciclo da cultura, sem os excessos que costumam causar perdas por lixiviação de fertilizantes ou danos às plantas.

“Esse ano o clima foi bom. As chuvas vieram no tempo certo, não foram aquelas chuvas que a gente fala de ‘tromba d’água’, que acaba lavando o adubo, levando a produção embora. Esse ano não. Esse ano foi um ano tranquilo, as chuvas calmas, no tempo certo o que acaba refletindo na produção”.

A expectativa é que a produtividade apresente bom desempenho em grande parte das áreas da região, resultado das condições climáticas favoráveis registradas ao longo da safra.

Custos elevados colocam rentabilidade em risco

Mesmo com a perspectiva de boa produção, os produtores enfrentam dificuldades para fechar as contas da safra. Conforme o presidente do Sindicato Rural de Ipiranga do Norte, o custo de produção aumentou significativamente, principalmente em razão dos gastos com fertilizantes e do controle de pragas.

Ele comenta que a pressão de lagartas exigiu aplicações extras de defensivos, elevando os investimentos além do planejado inicialmente. “Você tem aquele planejamento de aplicações e daí você tem que remanejar tudo, você tem que comprar mais produto e acaba se tornando caro”.

Além dos custos mais altos, os preços pagos pelo milho também preocupam. “Os preços continuam nesses patamares de R$ 40, R$ 42 a saca. Hoje, o milho está disponível em torno de R$ 40 para quem está colhendo e é complicado”.

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Na avaliação do dirigente rural, os agricultores que travaram parte da produção antecipadamente em contratos futuros conseguiram valores mais atrativos. “Quem tem o contrato futuro, que fez num preço mais razoável de R$ 48 aí beleza. Mas, quem não fez contrato, vender milho a R$ 40 eu acho que não cobre nem o custo da lavoura”.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Próxima safra já preocupa produtores

Os desafios no campo vão além da comercialização da atual safra. O custo dos insumos para o próximo ciclo já acende um alerta entre os produtores rurais da região.

Segundo Éder Bueno, a alta dos fertilizantes, associada aos impactos logísticos e às incertezas provocadas por conflitos internacionais, têm dificultado as negociações para a próxima temporada. “Na nossa região pelo menos, acredito, que nem 10% dos produtores já conseguiram adquirir o seu insumo para a próxima safra”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.

Para o produtor, o custo para produzir milho pode inviabilizar parte dos investimentos futuros. “Se você não tem um fertilizante barato, como é que você produz milho sem nitrogênio e sem potássio? É complicado. É uma questão de repensar a próxima safra. Infelizmente do jeito que está não dá para plantar”, afirma.

Nos cálculos da propriedade, o custo total de produção já supera 105 sacas por hectare, considerando despesas operacionais, depreciação de máquinas, fertilizantes e defensivos. Para obter retorno financeiro, o produtor calcula que o milho precisaria ser comercializado por pelo menos R$ 50 a saca.

“Para ter uma rentabilidade boa, no mínimo, precisaria vender a R$ 50 para ter pelo menos um lucro real, porque ninguém quer trabalhar de graça, né? Principalmente num ano desses em que você teve que incrementar mais, em especial nas aplicações para pragas”.

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Diante desse cenário, a redução da área destinada ao milho na próxima segunda safra já é uma possibilidade considerada por parte do setor produtivo. “Se não modificar esse cenário de fertilizantes é uma mudança brusca de produção e de plantação na próxima safra, principalmente safrinha de milho”.


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agro.mt

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