Segundo dados atualizados do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), Mato Grosso acaba de atingir um marco histórico que redefine sua importância para a economia nacional. O estado não é apenas o maior produtor de grãos, mas agora se consolida como a maior potência energética sustentável do país, liderando com folga a produção de biodiesel e etanol de milho.
No mês de março, as usinas mato-grossenses registraram um salto de 16,90% na produção de biodiesel, atingindo o maior nível da série histórica. Com um volume de 228,36 mil metros cúbicos, o estado passou a responder por mais de um quarto (26%) de todo o biodiesel fabricado no Brasil, impulsionado pela nova mistura obrigatória de 15% (B15) no óleo diesel.
Etanol de milho: O novo “ouro líquido” de Mato Grosso
Se o biodiesel impressiona, o etanol de milho não fica atrás. Na safra 2024/25, o estado produziu mais de 5,5 bilhões de litros do combustível, transformando o milho no grande protagonista da matriz energética estadual. Das quase 56 milhões de toneladas colhidas, cerca de 14 milhões foram destinadas diretamente para as usinas.
Atualmente, Mato Grosso conta com 12 usinas em operação, mas o futuro é ainda mais promissor: outras 10 unidades estão em construção e 5 estão em fase de projeto. Esse avanço industrial não gera apenas combustível, mas uma cadeia completa de subprodutos valiosos, como o DDG (grão de destilaria seco), essencial para a pecuária local.
Impacto no bolso e na economia regional
A industrialização do campo traz benefícios diretos para as cidades polo como Lucas do Rio Verde, Sinop e Sorriso. Além de sustentar mais de 147 mil empregos, o setor de biocombustíveis injetou R$ 833 milhões em ICMS nos cofres públicos no último ano.
Para o consumidor, a notícia é positiva:
- Combustível mais barato: Com a maior oferta de etanol no mercado interno, o preço nas bombas tende a ficar mais atrativo;
- Carne mais acessível: A grande disponibilidade de DDG o ano todo reduz os custos de confinamento do gado, o que pode baratear o preço final da proteína animal;
- Valorização do Grão: O produtor rural garante uma demanda constante e local para sua safra de milho e soja;
- Sustentabilidade: Mato Grosso lidera a transição para uma economia de baixo carbono.
Perspectivas para a safra e mercado de proteína
Enquanto os biocombustíveis batem recordes, o Imea também revisou as projeções para outras culturas. A safra de milho 25/26 deve alcançar 52,66 milhões de toneladas, beneficiada pelas chuvas recentes. Já no setor de carnes, o boi gordo registrou alta em abril (média de R$ 350,11 a arroba) devido à oferta restrita, enquanto os suínos enfrentam queda nos preços pela baixa demanda interna.