A relação de troca entre fertilizantes e commodities agrícolas voltou a se deteriorar nas últimas semanas, refletindo o descompasso entre insumos em patamares elevados e preços agrícolas limitados por um cenário de oferta confortável. Em termos práticos, o produtor passou a necessitar de um volume maior de grãos para adquirir a mesma quantidade de fertilizantes, pressionando diretamente as margens.
No mercado de soja, os fundamentos seguem relativamente equilibrados, mas com viés de oferta ampla. Os estoques globais são projetados em cerca de 124,8 milhões de toneladas, enquanto a produção brasileira é estimada em 180 milhões de toneladas para 2025/26, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Esse nível elevado de disponibilidade reduz o potencial de valorização da commodity, mesmo diante de demanda firme, o que limita o ganho de poder de compra do produtor. Como reflexo direto, A relação de troca NPK/soja apresentou deterioração relevante, com aumento de aproximadamente 11% no início de 2026 em comparação à média de 2025, evidenciando a perda relativa frente aos fertilizantes.
Para o milho, o movimento é ainda mais evidente. Com estoques globais ao redor de 294,8 milhões de toneladas e produção brasileira estimada em 132 milhões de toneladas deixando o mercado bem abastecido. Esse excedente reduz a sustentação dos preços, enquanto os fertilizantes seguem permanecem pressionados. Nesse contexto, a relação NPK/milho registrou alta de cerca de 22% no início de 2026 em comparação ao ano de 2025, reforçando a deterioração dos termos de troca para o produtor.
Do lado dos insumos, a pressão permanece significativa. A ureia já acumula altas superiores a 50% em importantes regiões como Oriente Médio, Norte da África e Báltico, enquanto o gás natural, principal insumo produtivo, registra elevações acima de 60%–70% na Europa. Fosfatados também acompanham esse movimento, com altas superiores a 10%–15% em mercados de referência, sustentados pelo avanço dos custos de enxofre e amônia.
Esse descompasso entre a ampla oferta de commodities, evidenciada por estoques elevados e recuperação produtiva juntamente com o aumento dos preços nos fertilizantes resulta em compressão de margens no campo. Com menor capacidade de valorização dos produtos agrícolas e custos ainda pressionados, a relação de troca se torna mais desfavorável, levando o produtor a adotar maior seletividade nas compras, ajustar níveis de aplicação e buscar melhor timing de aquisição em um ambiente ainda marcado por volatilidade e incerteza.
Fonte: GlobalFert, disponível em Fecoagro
Autor:GlobalFert, disponível em Fecoagro
Site: Fecoagro/SC
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