O que nasceu como uma tentativa de abrir espaço para discutir paternidade, saúde emocional e o papel do homem na sociedade acabou virando um daqueles projetos que mal saem do papel e já encontram a porta de saída. Em Cuiabá, o vereador Adevair Cabral decidiu arquivar o PL que criava a “Semana de Valorização da Paternidade e do Homem” apenas três dias após apresentá-lo.
A proposta até tinha um pacote de boas intenções: incentivar pais mais presentes, falar de saúde masculina e, quem sabe, dar uma arejada no debate sobre masculinidade. Mas a recepção nas redes sociais foi bem menos acolhedora. Em um cenário marcado por altos índices de feminicídio na capital, muita gente considerou o timing, no mínimo, infeliz.
E timing, na política, costuma ser tudo. Com 13 mulheres assassinadas só nos primeiros meses deste ano em Cuiabá, o projeto acabou sendo visto por parte da população como deslocado da realidade urgente que o município enfrenta. Resultado: antes mesmo de começar a tramitar de verdade, já estava sendo recolhido.
O próprio vereador justificou o arquivamento após a repercussão negativa, mostrando que, às vezes, o termômetro das redes sociais fala mais alto do que qualquer discurso em plenário. É o tipo de situação em que a ideia pode até ter mérito, mas esbarra no contexto — e perde força.
No fim das contas, ficou a lição clássica: nem toda pauta aguenta o momento em que é lançada. E, em Cuiabá, a tal semana de valorização durou menos que muito feriado prolongado.
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