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Exportação de café tem queda de 21% no primeiro trimestre do ano


Foto: Unsplash

O Brasil exportou 3,040 milhões de sacas de 60 kg de café em março, gerando receita cambial de US$ 1,125 bilhão, mostra relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Na comparação com o mesmo mês de 2025, há queda de 7,8% em volume e de 15,1% em valores.

No acumulado dos nove primeiros meses do ano safra 2025/26, o país embarcou 29,093 milhões de sacas, montante 21,2% inferior ao aferido no mesmo intervalo anterior. Em receita, as remessas renderam US$ 11,431 bilhões, alta de 2,9% ante o apurado entre julho de 2024 e março de 2025.

Exportações no ano civil

No primeiro trimestre deste ano, os embarques de café do Brasil totalizaram 8,465 milhões de sacas, declínio de 21,2% frente aos 10,739 milhões apurados de janeiro ao fim de março do ano passado. A receita cambial foi de US$ 3,371 bilhões, 13,6% aquém dos US$ 3,901 bilhões levantados com as remessas cafeeiras nos três primeiros meses de 2025.

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De acordo com o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o desempenho negativo reflete o período de entressafra da cafeicultura no Brasil e o atual cenário financeiro dos produtores.

“A nova safra começará a chegar ao mercado em abril para o caso dos cafés canéforas, nossos robusta e conilon, e mais para o final de maio quando o foco são os arábicas. Além disso, os cafeicultores se encontram capitalizados e analisando os melhores momentos para negociar seus cafés remanescentes, assim, há menor disponibilidade do produto”, contextualiza.

Impacto geopolítico sobre o café

Ferreira também aponta que o cenário logístico e a geopolítica global impactaram o desempenho das exportações.

“A infraestrutura defasada nos portos do país, cujo avanço não acompanha a evolução do agronegócio, segue interferindo na capacidade de exportação, com centenas de contêineres ficando retidos nos portos aguardando embarque e gerando prejuízos milionários aos exportadores”, afirma.

O presidente do Cecafé ressalta que, além disso, as negociações com os Estados Unidos vêm sendo retomadas gradualmente após o tarifaço, já que ainda imperam incertezas sobre a política comercial norte-americana.

“As complicações no Estreito de Ormuz devido aos conflitos no Oriente Médio também reduzem os negócios em função de maiores custos aos importadores, que enfrentam fretes mais caros e valores de seguro marítimo elevadíssimos, isso quando há seguradoras que disponibilizam o serviço”, completa Ferreira.

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Principais destinos

Foto: Divulgação/Mapa

O Cecafé aponta os seguintes países como os principais importadores do café brasileiro no primeiro trimestre de 2026:

  • Alemanha: 1,192 milhão de sacas (-15,63% em comparação ao mesmo período de 2025);
  • Estados Unidos: 936.617 sacas (-48,3%);
  • Itália: 885.162 sacas (+10,2%);
  • Bélgica: 527.456 sacas (+4,5%); e
  • Japão: 440.085 sacas (-35%).

Tipos de café exportados

O café arábica, com 6,712 milhões de sacas, permaneceu como o mais exportado pelo Brasil no primeiro trimestre de 2026. Esse montante equivale a 79,3% do total embarcado, apesar de representar queda de 25,8% frente aos três primeiros meses do ano passado.

Na sequência, com o equivalente a 963.168 sacas remetidas ao exterior, aparece o segmento do café solúvel, com leve baixa de 1,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2025. Esse tipo de produto respondeu por 11,4% das exportações totais no período atual.

Os cafés canéforas (conilon + robusta), com 780.911 sacas – alta de 11% e 9,2% do total –, e o produto torrado e torrado e moído, com 9.867 sacas (-29,9% e 0,1% de representatividade), completam a lista.

Cafés diferenciados

Os cafés que possuem qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis e/ou especiais responderam por 19,1% das exportações totais brasileiras de janeiro ao fim de março deste ano, com a remessa de 1,618 milhão de sacas ao exterior. Esse volume é 42,7% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.

A um preço médio de US$ 451,56 por saca, a receita cambial com os embarques dos cafés diferenciados foi de US$ 730,751 milhões, o que correspondeu a 21,7% do obtido com todos os embarques de café no primeiro trimestre deste ano. No comparativo anual, o valor é 37,7% menor do que o registrado nos três primeiros meses de 2025.

A Alemanha também liderou o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 226.716 sacas, o equivalente a 14% do total desse tipo de produto exportado.

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O relatório do Cecafé ainda mostra que o Porto de Santos foi o principal exportador dos cafés do Brasil no primeiro trimestre, com 6,409 milhões de sacas e representatividade de 75,7% no total.

Na sequência, vieram o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 20,3% dos embarques ao remeter 1,716 milhões de sacas ao exterior, e o Porto de Paranaguá (PR), que exportou 108.293 sacas e teve representatividade de 1,3%.

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