A escalada das tensões no Oriente Médio tem impactado o mercado de fertilizantes e os custos do agronegócio brasileiro e movimentos do setor pode agravar a situação. Segundo Maisa Romanelo, engenheira agrônoma e especialista em fertilizantes da Safras & Mercado, a paralisação de unidades da Mosaic no Brasil em Minas Gerais, que produziam cerca de 1 milhão de toneladas de fosfato, reforça a vulnerabilidade do país, altamente dependente de importações.
“Essa é uma notícia negativa para o setor, pois evidencia gargalos na produção interna e aumenta a dependência do mercado externo em um momento de preços elevados”, afirma.
A alta dos fertilizantes já é significativa desde o início do conflito. De acordo com Romanelo, a ureia subiu cerca de 39%, passando de US$ 550 para US$ 765 por tonelada no porto.
Outros produtos também registraram valorização:
Os níveis atuais de preços se aproximam dos registrados em 2022, durante a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Apesar do cenário de pressão, a especialista avalia que o risco de falta de fertilizantes no Brasil é baixo no curto prazo.
Segundo ela, o país ainda consegue importar de diferentes origens. No entanto, o principal impacto será no custo pago pelo produtor.
“O problema não é a disponibilidade imediata, mas o preço e o risco de concentração de demanda no segundo semestre, o que pode gerar gargalos logísticos”, explica.
A postergação das compras por parte dos produtores pode intensificar esse cenário, elevando ainda mais os preços e dificultando a entrega no momento do plantio.
Com a alta dos fertilizantes e os atuais preços da soja e do milho, a relação de troca se deteriorou. Segundo Romanelo, os indicadores já estão nos piores níveis dos últimos anos.
A situação varia conforme o perfil do produtor, mas a tendência é de margens mais apertadas e maior necessidade de planejamento.
“Qualquer variável pode ter impacto decisivo na formação de custos e na rentabilidade. Isso exige decisões mais estratégicas”, afirma.
Diante da volatilidade, a recomendação é evitar decisões concentradas. Para o cloreto de potássio, que não sofre impacto direto do conflito, a orientação é antecipar compras, já que os preços seguem em alta gradual.
Já para fosfatados e nitrogenados, o cenário é mais incerto. A especialista recomenda compras parceladas e atenção às oportunidades de mercado.
“Não é o momento de concentrar todas as compras. O ideal é diversificar estratégias e acompanhar fatores como dólar, logística e evolução do conflito”, destaca.
Mesmo em caso de alívio geopolítico, a expectativa é de que os preços não recuem rapidamente. A normalização depende da retomada das exportações no Oriente Médio e da regularização das rotas logísticas.
Com isso, o cenário para a safra 2026/27 segue marcado por custos elevados, maior exposição ao mercado externo e necessidade de gestão mais rigorosa por parte dos produtores.
O post Com guerra no Oriente Médio, preços dos fertilizantes chegam a crescer até 39% apareceu primeiro em Canal Rural.
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