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Manejo no campo e colheita seletiva definem a qualidade do café especial, diz produtora


O café, presente na rotina de milhões de brasileiros, começa muito antes de chegar à xícara. No campo, o processo exige técnica, planejamento e atenção em cada etapa, da escolha da variedade ao pós-colheita.

Em entrevista para A Protagonista, a produtora Ana Mazzi detalhou como o manejo influencia diretamente a qualidade do produto final.

O estado de São Paulo, um dos principais produtores de café arábica do país, registra safras que variam entre 4,7 milhões e 5,4 milhões de sacas por ciclo, dependendo das condições climáticas e da bienalidade. Nesse cenário, a busca por qualidade tem ganhado espaço, especialmente no segmento de cafés especiais.

Segundo Ana Mazzi, a qualidade do café começa ainda na lavoura, com destaque para a colheita seletiva. A prática consiste em colher apenas os grãos maduros, no ponto ideal de açúcar.

Antes da colheita, a produtora realiza análises com o uso de refratômetro, equipamento que mede o teor de açúcar do grão. “A partir dessa informação, decidimos como será o processamento, se vamos fermentar ou despoupar”, explica.

Grãos verdes, pretos ou ardidos são descartados para evitar prejuízos na qualidade. “Um único grão defeituoso pode comprometer toda a saca”, ressalta.

Secagem exige controle rigoroso

Após a colheita, o processo de secagem é outra etapa crítica. Na propriedade, o café é seco em terreiros de cimento e suspensos, sendo este último considerado mais eficiente pela melhor circulação de ar.

Durante a secagem, os grãos são revolvidos até seis vezes por dia. O controle da umidade é constante, com medições frequentes. “Se não houver esse controle, o café pode desenvolver mofo ou perder qualidade”, explica a produtora.

Sustentabilidade

A adoção de práticas mais sustentáveis também tem avançado na propriedade. Ana Mazzi destaca o uso de insumos biológicos no manejo.

A produção conta com certificação que prioriza o uso de biológicos, embora ainda utilize adubação mineral (NPK), devido às dificuldades logísticas de aplicar adubos orgânicos em áreas de altitude.

“Hoje o consumidor busca um café mais saudável, e isso tem impulsionado essas práticas”, afirma.

Além disso, a produtora investe em estratégias de agricultura regenerativa, como o plantio de culturas nas entrelinhas do café, ajudando no controle natural de pragas e na conservação do solo.

Sem o uso de defensivos químicos, o manejo exige acompanhamento diário da lavoura. “É preciso monitorar constantemente. Os biológicos funcionam, mas demandam mais atenção”, explica.

Apesar dos desafios, a produtora destaca os benefícios a médio e longo prazo, tanto em qualidade quanto em valor agregado do produto.

Qualidade também depende do pós-colheita

Após a torra, a conservação do café também influencia na experiência do consumidor. O uso de embalagens com válvula desgaseificadora e aplicação de nitrogênio evita a oxidação e preserva aroma e sabor por mais tempo.

A preservação de nascentes e recursos hídricos também faz parte da rotina na propriedade. Segundo Mazzi, esse cuidado é essencial para manter a qualidade do solo e garantir a sustentabilidade da produção.

Primeiro passo

Com mais de 30 anos de experiência, a produtora destaca que o primeiro passo para quem deseja investir na atividade é escolher variedades adaptadas ao clima da região e resistentes a pragas.

Ela também aponta o crescimento da demanda por cafés orgânicos como uma oportunidade, apesar dos custos mais elevados de produção. “O café exige mais no início, mas a recompensa vem com qualidade e mercado”, afirma.

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agro.mt

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