O mercado da soja encerrou a semana com movimento de alta moderada, influenciado principalmente por fatores externos. O relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe ajustes no balanço global, com elevação das estimativas de esmagamento acompanhando o aumento das importações. Segundo a plataforma Grão Direto, na América do Sul, a projeção para a safra brasileira foi mantida em 180 milhões de toneladas, enquanto a produção da Argentina sofreu leve redução.
Mesmo com poucas mudanças estruturais nos números globais, o comportamento dos preços foi influenciado pela escalada das tensões no Oriente Médio. A alta do petróleo ao longo da semana ajudou a impulsionar os contratos da oleaginosa na Bolsa de Chicago, trazendo momentos de valorização mesmo diante da pressão de oferta vinda da América do Sul.
Por outro lado, o avanço da colheita no Brasil continua ampliando a disponibilidade de grãos no mercado e limitando parte dos ganhos observados no exterior para o produtor brasileiro. Com isso, o mercado caminhou de forma dividida ao longo da semana, alternando entre momentos de alta e de acomodação dos preços.
De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o contrato spot da soja em Chicago para maio de 2026 encerrou a semana cotado a US$ 12,24 por bushel, registrando valorização de 1,83% no período. No câmbio, o dólar terminou a semana em R$ 5,32, com alta de 1,53%.
Esse cenário resultou na melhora das condições de preços no mercado físico em diversas regiões do Brasil. O Índice Soja FOB Santos também avançou, registrando alta de 4,83% na semana.
Para os próximos dias, a volatilidade deve continuar elevada. Os desdobramentos do conflito no Oriente Médio seguem no radar dos agentes, principalmente pelos impactos sobre o mercado de energia. Caso persistam bloqueios ou restrições de tráfego no Estreito de Ormuz, o petróleo pode permanecer em patamares elevados, mantendo influência indireta sobre as commodities agrícolas.
Além disso, o mercado acompanha se os contratos em Chicago conseguirão sustentar o patamar de US$ 12 por bushel. O relatório WASDE de março indicou que os estoques globais de soja seguem confortáveis, mesmo com pequenas quebras produtivas em países como Argentina e Ucrânia, o que pode limitar movimentos mais fortes de alta.
Outro fator de atenção é a dinâmica dos fundos de investimento, que têm operado com maior volatilidade diante do aumento do risco geopolítico.
No campo, o mercado acompanha a reta final da colheita no Brasil e as primeiras estimativas de intenção de plantio da safra 2026/27 nos Estados Unidos, que devem ser divulgadas no fim do mês. No Brasil, chuvas irregulares no Sul e excesso de umidade em áreas do Norte e Nordeste podem influenciar o ritmo de entrega da produção e a qualidade dos grãos remanescentes.
No ambiente macroeconômico, a chamada “super quarta”, com decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, também deve movimentar os mercados. A expectativa de corte na taxa básica brasileira pode ser menor do que o inicialmente previsto, diante da pressão inflacionária ligada aos combustíveis. Caso os juros permaneçam elevados por mais tempo e o Federal Reserve adie cortes nos Estados Unidos, o dólar tende a seguir forte, fator que pode sustentar os preços da soja no mercado interno.
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