O excesso de chuva tem provocado prejuízos e preocupação entre produtores de soja no extremo norte de Mato Grosso. Em Marcelândia, produtores enfrentam atrasos na colheita, aumento de custos e dificuldades para escoar a produção, situação que também ameaça a economia local, fortemente dependente do agronegócio.
Na região, o volume de chuva já ultrapassa 2.200 milímetros, bem acima da média anual, que costuma variar entre 1.800 e 2.000 milímetros. O solo encharcado impede a entrada das máquinas nas lavouras, causando lentidão no trabalho de colheita e até o atolamento de colheitadeiras.
Em uma propriedade com 170 hectares de soja prontos para colheita, o gerente de produção Vagner Batista dos Santos relata que o excesso de umidade tem gerado custos extras e perdas na lavoura.
“Já temos uma perca de 32% mais ou menos de perca. Acabou de sair uma carga com 28 de umidade é o dobro da umidade que é o ideal. Já está passando da hora de colher”, destaca.
Com muito esforço e uma estimativa de perdas na produtividade final da safra. O produtor, que também tem propriedade na região, conseguiu terminar a colheita dos 1.035 hectares de soja, mas agora enfrenta um outro desafio, implantar o milho segundo a safra, que já está com boa parte da área prevista na temporada, fora da janela, considerada ideal,
Outro desafio enfrentado pelos produtores é a logística. Em alguns momentos, caminhões ficaram horas em filas para descarregar a produção, enquanto armazéns estavam lotados.
A principal rota de saída é a rodovia MT-163, no trecho MT-320, que apresenta trechos danificados e dificuldades de tráfego.
“Nós temos que pagar pedágio numa estrada que a gente tem que ficar horas e horas parado no trânsito porque não tem escoamento, não consegue descarregar”, conta o agricultor, Alexandre Falchetti.
Além disso, a soja transportada em caminhões pode perder qualidade rapidamente se permanecer por vários dias parada, já que se trata de um produto perecível.
Diante da situação, os municípios de Marcelândia, Colíder e Matupá decretaram estado de emergência.
De acordo com o presidente do sindicato rural de Marcelândia, Marcelo Cordeiro, pelo menos 10% da produtividade da safra já pode ter sido comprometida. Ainda há cerca de 35% dos 200 mil hectares de soja cultivados na região que precisam ser colhidos, enquanto a previsão indica continuidade das chuvas.
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