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Operação Safra Desviada: Gaeco mira organização que lucrou R$ 140 milhões com furto de grãos em Mato Grosso


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) em Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (25), uma megaoperação para desarticular uma organização criminosa que saqueou R$ 140 milhões do setor produtivo. A “Operação Safra Desviada” mira um esquema especializado no furto de soja, milho e algodão. Ao todo, 180 medidas cautelares estão sendo cumpridas em cinco estados brasileiros.

As equipes policiais avançam sobre alvos em Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Maranhão. No estado, o cerco se fechou em cidades estratégicas em Cuiabá, Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Colíder, Nova Ubiratã, Boa Esperança do Norte e Campo Verde.

Ao todo foram autorizados pela Justiça 80 mandados de busca e apreensão em residências, fazendas e sedes de empresas que, conforme a investigação, serviam de base para a manipulação de registros e escoamento da produção furtada.

A investigação aponta que o bando operava de forma profissional, com núcleos dedicados à falsidade ideológica e à lavagem de dinheiro. Além do sequestro de 70 veículos — entre caminhões, carretas e automóveis —, o Judiciário determinou o bloqueio de R$ 140 milhões nas contas de 56 investigados. O grupo também é suspeito de aplicar golpes contra idosos.

Uso de sites de apostas para lavagem

Para ocultar o rastro do dinheiro, os criminosos utilizavam plataformas de apostas online, cujas contas também foram bloqueadas por ordem judicial. A quebra dos sigilos bancário e fiscal de 45 envolvidos e a indisponibilidade de imóveis de 20 pessoas físicas e jurídicas tentam garantir que o patrimônio não seja dissipado antes do julgamento.

O esquema contava com uma estrutura contábil sofisticada para simular legalidade. De acordo com os autos, há “indícios de um esquema estruturado, dividido em núcleos, com manipulação contábil, empresas de fachada e transações financeiras atípicas”. A extração de dados de celulares e computadores apreendidos deve revelar agora a extensão da rede de receptadores e outros possíveis beneficiários do desvio.

A força-tarefa mobiliza 180 policiais militares, 50 membros do Gaeco e 12 policiais civis de Sorriso, com suporte de unidades aéreas e de inteligência. “As medidas buscam preservar provas, impedir a continuidade das práticas ilícitas, evitar a dissipação de bens e garantir a reparação dos danos causados”, afirmam os despachos judiciais que fundamentam a operação, conforme o Ministério Público de Mato Grosso.


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agro.mt

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