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Intervalos curtos de reaplicação durante o período crítico favorecem o controle da cigarrinha-do-milho – MAIS SOJA


A cigarrinha-do-milho, espécies Dalbulus maidis e Leptodelphax maculigera, configuram na atualidade as principais e mais preocupantes pragas da cultura do milho. Essas pragas tornam-se preocupantes pelos danos indiretos que resultam na transmissão dos enfezamentos, doenças causadas por microrganismos fitopatogênicos conhecidos como molicutes, capazes de infectar a planta de forma sistêmica, causando perdas de produtividade que podem chagar a 100% (Cota et al., 2021).

Embora distintas estratégias de manejo (Figura 1) possam ser adotadas de forma integrada para o controle dos enfezamentos no milho, quando há necessidade de intervenções imediatas, o controle químico permanece como o método mais eficaz para reduzir as populações da cigarrinha e, consequentemente, mitigar os impactos da doença sobre a cultura.

Figura 1. Estratégias de manejo da cigarrinha e dos enfezamentos do milho.

Nesse contexto, posicionar adequadamente os inseticidas com base na eficiência e período de controle é crucial para o sucesso no manejo dos enfezamentos. Estrategicamente, o controle químico da cigarrinha-do-milho deve ocorrer de VE a V5, podendo se estender até V8 em alguns casos (período crítico).

Definida a necessidade de realizar uma intervenção química para o controle da cigarrinha-do-milho, é importante atentar para a escolha do inseticida, dando preferência por inseticidas com maior nível de controle. Conforme observado por Machado et al. (2024), há diferença de suscetibilidade da cigarrinha-do-milho a inseticidas, sendo que, a maioria das populações da cigarrinha apresentam alta suscetibilidade ao metomil, carbosulfan e acefato, e suscetibilidade reduzida à bifentrina, acetamiprido e imidacloprido.



Intervalos curtos favorecem o controle

Vale destacar que a cigarrinha-do-milho apresenta elevada prolificidade e ciclo biológico curto, características que favorecem o crescimento exponencial de suas populações e, consequentemente, podem demandar a redução do intervalo entre aplicações de inseticidas para maior efetividade no controle. Estima-se que o ciclo do inseto varie de 15 a 27 dias, conforme as condições ambientais, e que cada fêmea possa ovipositar entre 400 e 600 ovos (Ávila et al., 2022).

Dessa forma, durante o período crítico de ocorrência da praga, a intensificação do monitoramento é fundamental para subsidiar a tomada de decisão quanto à necessidade de controle. Em situações de alta infestação, o encurtamento do intervalo entre aplicações pode ser uma estratégia eficiente para mitigar os danos; contudo, qualquer intervenção deve ser baseada no monitoramento da lavoura.

Embora não exista um nível de ação oficialmente definido para a cigarrinha-do-milho, a simples presença do inseto na lavoura, sobretudo em áreas com histórico de enfezamentos, já sinaliza a necessidade de adoção imediata de medidas de manejo.

Mesmo com a utilização de inseticidas de alta performance e maior efeito residual, a redução do intervalo entre aplicações tende a aumentar a eficiência do controle, especialmente em períodos de maior pressão da praga. De modo geral, recomenda-se que esse intervalo varie entre 5 e 7 dias durante a fase crítica de ocorrência da cigarrinha na cultura do milho (Agrofit, 2025).

Referências:

AGROFIT. CONSULTA ABERTA. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2025. Disponível em: < https://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons >, acesso em: 25/02/2026.

ÁVILA, C. J. et al. DESAFIOS AO MANEJO DE ENFEZAMENTOS E VIROSES NA CULTURA DO MILHO. Embrapa Agropecuária Oeste, Documentos, n. 149, 2022. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1152076/1/DOC-149-2022-ONLINE-1.pdf >, acesso em: 25/02/2026.

COTA, L. V. et al. MANEJO DA CIGARRINHA E ENFEZAMENTOS NA CULTURA DO MILHO. Embrapa Milho e Sorgo, Folhetos, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1130346/manejo-da-cigarrinha-e-enfezamentos-na-cultura-do-milho >, acesso em: 25/02/2026.

MACHADO, E. P. IS INSECTICIDE RESISTANCE A FACTOR CONTRIBUTINGTO THE INCREASING PROBLEMS WITH Dalbulus maidis (Hemiptera: Cicadellidae) IN BRAZIL? Society of Chemical Industry, 2024. Disponível em: < https://scijournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/ps.8237?domain=author&token=EFNPXSEM4KUXHHESVXEG >, acesso em: 25/02/2026.

Foto de capa: Fabiano Bastos.

agro.mt

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