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Excesso de açúcar pode forçar ajuste no mix e baratear etanol, aponta consultoria


Foto: Embaixada dos EUA no Brasil

A safra global de açúcar 2025/26 deve ser notabilizada pelo excesso de oferta. A coordenadora de Inteligência de mercado da Hedgpoint Global Markets, Lívea Coda, ressalta que o Brasil entra em mais um ano de forte disponibilidade, com previsão superior a 40 milhões de toneladas, fortalecendo o seu papel de maior produtor e exportador mundial. Enquanto isso, Índia, Tailândia e México mostraram recuperação no processamento.

Segundo ela, Estados Unidos e Guatemala também possuem boas perspectivas de produção. Já para a safra 2026/27, o Brasil deve aumentar a produção de cana em 3,2%, aposta a consultoria, passando para 630 milhões de toneladas. Contudo, por conta de o etanol ter recuperado a competitividade em relação ao adoçante, tal incremento pode não refletir em mais açúcar.

Foto: Reprodução/ Hedgepoint

“Esse fator permite que as usinas reduzam o mix em busca de maior lucro, especialmente dada a relação futura esperada entre esses preços e, acima de tudo, para resolver o excesso de oferta do adoçante”, ressalta Lívea.

De acordo com a especialista, o fluxo comercial na próxima safra também pode ser de excesso de oferta e, portanto, baixista. “Para resolver essa situação, em vez de um mix acima de 50%, as usinas do Centro-Sul deveriam buscar um mix mais próximo de 46%”, diz.

Fonte: Green Pool, Hedgepoint

Conforme Lívea, um mix de 46,2% resolveria o excedente de açúcar e geraria um excesso de oferta de etanol. “A maneira mais barata de resolver o problema é gerar demanda por hidratado, alterando o mix da demanda por combustível.”

Assim, ao se considerar uma expansão de 2,5% no ciclo Otto, o preço do hidratado deve cair para atrair a demanda nos postos de combustíveis. Com isso, a especialista sinaliza que os patamares nas bombas devem ser ajustados para incentivar o consumo de hidratado em vez da gasolina C na maioria dos estados brasileiros, até que o excedente de açúcar seja consumido na forma de etanol.

Assim, o preço estimado em São Paulo deve se ajustar do nível de 17-18 centavos de dólar por libra-peso (c/lb) para algo mais próximo de 13,5 c/lb. Em R$/L, isso equivale a passar do nível de 3 R$/L ex-mill (preço na usina) em São Paulo para 2,3-2,5 R$/L ex-mill.

Entretanto, a coordenadora da Hedgepoint ressalta que restrições físicas no mercado podem bloquear o mix de 46%. Isso porque os volumes de açúcar vendidos ou fixados anteriormente não devem permitir uma mudança total para o etanol, com a possibilidade de se chegar a um meio-termo, sem resolver completamente o excedente de açúcar. “Além disso, os ajustes na demanda por combustível não são instantâneos e também podem restringir a redução no mix”, conclui.

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