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Com o avanço do caruru-gigante no Brasil, medidas de manejo devem ser intensificadas, incluindo a limpeza de máquinas – MAIS SOJA


É consenso que, no cenário atual, as espécies do gênero Amaranthus, popularmente conhecidas como caruru, figuram entre as plantas daninhas mais problemáticas nas culturas agrícolas brasileiras. Em crescente expansão no território nacional, essas espécies competem intensamente com culturas como soja e milho, promovendo reduções expressivas na produtividade das lavouras.

O caruru destaca-se pelo rápido crescimento inicial, elevado vigor, alta produção de sementes e ampla capacidade de desenvolver resistência a herbicidas, características que lhe conferem elevada agressividade e dificultam o controle. Entre as espécies de maior complexidade está o caruru-gigante (Amaranthus palmeri), capaz de crescer até 4 cm por dia e de reduzir a produtividade em mais de 91% no milho, 79% na soja e 77% no algodão (Gazziero & Silva, 2017).

Até recentemente, A. palmeri era considerada restrita ao estado do Mato Grosso. Contudo, sua ocorrência foi confirmada também no estado de São Paulo, na região de São José do Rio Preto, ampliando o alerta fitossanitário (MAPA, 2026). Diante do elevado potencial de dano e da expansão geográfica da espécie, torna-se imprescindível intensificar as estratégias de manejo para conter o avanço das populações.

Entre as medidas mais eficazes destaca-se a limpeza criteriosa de máquinas e equipamentos agrícolas provenientes de diferentes áreas de produção. Essa prática é ainda mais relevante no trânsito entre regiões ou estados com barreiras sanitárias, onde já há exigência de que os equipamentos estejam livres de solo e resíduos vegetais (HRAC-BR, 2026).

Considerando as características físicas das sementes de caruru, pequenas e de fácil desprendimento, a dispersão por meio de máquinas agrícolas constitui uma das principais vias de disseminação da espécie, reforçando a importância da limpeza como estratégia preventiva.

Figura 1. (A) Máquina contaminada com sementes de caruru; (B) sementes de caruru; (C) resíduos culturais; (D) transporte das colhedoras.
Adaptado: Gazziero et al. (2023)

A limpeza deve ser realizada entre talhões e propriedades, sendo recomendada a limpeza completa das máquinas ao final da safra ou antes do deslocamento das máquinas para outras regiões, sempre conforme as orientações do fabricante. Quando a limpeza total não for viável, deve-se priorizar os pontos de maior acúmulo de resíduos e realizar o monitoramento dos primeiros talhões colhidos após o deslocamento da máquina (Barroso; Albrecht; Gazziero, 2024).

De acordo com Barroso; Albrecht; Gazziero, (2024), tanto na colheita da soja quanto do milho há diversos pontos de retenção de sementes de plantas daninhas, incluindo caruru. As regiões da plataforma de corte, do tanque graneleiro, do coletor de perdas e do eixo sem-fim concentram maior acúmulo de sementes, devendo, portanto, receber atenção especial durante o processo de limpeza.

Figura 2. Pontos de maior acúmulo de sementes de plantas daninhas após a colheita da soja ou do milho.
Fonte: Universidade de Nebraska, apud. Barroso; Albrecht; Gazziero, (2024)

Nesse contexto, a limpeza de colhedoras é fundamental para conter a disseminação do caruru, especialmente quando se trata de máquinas e equipamentos agrícolas provenientes de outras regiões produtoras do país. Ressalta-se que essa prática também é válida para o manejo de outras espécies daninhas, contribuindo significativamente para a redução da dispersão de sementes nas áreas agrícolas.



Referências:

BARROSO, A. A. M.; ALBRECHT, A. J. P.; GAZZIERO, D. L. O COMPLEXO CARURU: BIOLOGIA, IDENTIFICAÇÃO, OCORRÊNCIA E MANEJO. Sistema FEAP, 2024. Disponível em: < https://www.sistemafaep.org.br/wp-content/uploads/2024/08/Cartilha-Caruru_web.pdf >, acesso em: 20/02/2026.

GAZZIERO, D. L. P.; et al. CARURU-PALMERI: CUIDADO COM ESSA PLANTA DANINHA. Embrapa Soja, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1152972  >, acesso em: 20/02/2026.

GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa Soja, Documentos, n. 384, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1069527/1/Doc384OL.pdf >, acesso em: 20/02/2026.

MAPA. PRAGA QUARENTENÁRIA PRESENTE É DETECTADA PELA PRIMEIRA VEZ NO ESTADO DE SÃO PAULO. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2026. Disponível em: < https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/praga-quarentenaria-presente-e-detectada-pela-primeira-vez-no-estado-de-sao-paulo >, acesso em: 20/02/2026.

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