O avanço dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio acendeu um sinal de alerta no sistema financeiro. Em entrevista à Safras News durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), o diretor de Agronegócios do Bradesco, Roberto França, afirmou que a movimentação tem sido excessiva em algumas regiões produtoras, o que já provoca reflexos no mercado de crédito.
Segundo o executivo, o uso demasiado do mecanismo jurídico acabou impondo um freio ao ambiente financeiro. Na avaliação de França, a intensificação desses pedidos amplia a percepção de risco, aumenta a insegurança entre os agentes e pressiona o custo do crédito de forma generalizada. “Com mais risco e mais incerteza, o crédito tende a ficar mais caro para todos”, destacou.
O banco observa, ainda, situações em que a recuperação judicial é adotada mais por orientação jurídica do que por uma necessidade econômica efetiva do produtor rural. De acordo com França, houve distorções no uso do instrumento em determinadas praças, movimento que passou a ser acompanhado com maior atenção por autoridades e órgãos reguladores.
Para a instituição, o atual cenário no campo não configura, necessariamente, uma crise de atividade econômica, mas reflete sobretudo os efeitos do aumento do custo da alavancagem financeira. Nesse contexto, o encarecimento do crédito e a maior seletividade nas concessões tendem a ganhar relevância nas decisões de investimento e financiamento do setor.
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