Mesmo com o avanço tecnológico e o aprimoramento das colhedoras de grãos, perdas de colheita são observadas no processo de colheita das lavouras. Grande parte dessas perdas são observadas no sistema de corte e alimentação, resultando na disseminação de sementes no solo.
Essas sementes germinam sob condições adequadas de temperatura e umidade, dando origem a populações de plantas “tiguera” (voluntárias) que passam a matocompetir com a cultura sucessora, além de servir como ponte verde e/ou hospedeiras para a sobrevivência de pragas e patógenos.
No sistema de produção soja/milho ou vice-versa, o milho é uma das culturas que mais assume papel de daninha na cultura sucessora. É comum observar sementes de milho germinando após a colheita da cultura (figura 1), dando origem a plantas voluntárias na área agrícola.
Visando mitigar os efeitos do milho tiguera na cultura sucessora, há dois momentos em que o milho voluntário necessita obrigatoriamente ser controlado: na entressafra, entre a colheita do milho e a semeadura da soja e durante o ciclo da soja, quando compete por água, luz e nutrientes e pode dificultar o manejo de pragas e doenças (HRAC-BR, 2026).
Mesmo se tratando de colhedoras bem reguladas níveis de perdas até 1% são considerados aceitáveis para a colheita do milho. Nesse contexto, o controle de plantas voluntárias torna-se essencial para o sucesso da cultura sucessora e para a quebra do ciclo de patógenos e pragas como a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis).
Entre as principais estratégias de controle químico do milho voluntário, destacam-se os herbicidas inibidores da ACCase, amplamente conhecidos como graminicidas, como clethodim, haloxyfop e quizalofop.
Esses produtos apresentam, em geral, boa eficiência no manejo do milho tiguera, desde que aplicados conforme as doses recomendadas e no estádio adequado de desenvolvimento das plantas. De modo geral, plantas de menor porte são mais suscetíveis ao controle, sendo recomendada a aplicação quando o milho se encontra entre os estádios de 2 a 4 folhas.
A utilização desses herbicidas não exige período de carência entre a aplicação e a semeadura da cultura sucessora. Assim, podem ser empregados no controle do milho tiguera previamente à implantação de gramíneas, como pastagens ou culturas de inverno.
Conforme observado por Silva et al., (2022), a medida que as plantas de milho se desenvolvem, apenas os FOPS apresentam níveis satisfatórios de controle para plantas a partir de V6 (Figura 2). Contudo, para o controle de plantas voluntárias de milho nos estádios iniciais (até V4-V5), além de uso de doses mais baixas dentro de bula, tanto os herbicidas inibidores da ACCase do grupo dos DIMs quanto do grupo dos FOPs apresentam bons níveis de controle, desde que o milho não apresente resistência a FOPs como o milho Enlist.
Além dos inibidores da ACCase, o diquat, herbicida inibidor do Fotossistema I, também pode ser utilizado no controle do milho tiguera. Entretanto, seu uso demanda atenção redobrada ao estádio fenológico da planta, devendo ser aplicado preferencialmente em estádios iniciais, até no máximo de duas folhas.
Com a chegada de novas tecnologias de resistência a herbicidas, como por exemplo resistência a glifosato + glufosinato de amônio e haloxifop (milho Enlist), o manejo e controle do milho tiguera tornou-se mais complexo (Silva et al., 2022), limitando as opções na pós-emergência das culturas. Logo, controlar o milho tiguera antes do estabelecimento da cultura sucessora é crucial para o sucesso da lavoura.
HRAC-BR. MILHO TIGUERA: UM DESAFIO NO MANEJO DE PLANTAS DANINHAS. Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas, 2026. Disponível em: < https://www.hrac-br.org/post/milho-tiguera-um-desafio-no-manejo-de-plantas-daninhas >, acesso em: 11/02/2026.
SILVA, R. P. et al. O DESAFIO DO MILHO TIGUERA. HRAC-BR, Informe Técnica, n. 2, 2022. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/12R39cZdrCmOH83q_Lgwugvv_-msTzO4g/view >, acesso em: 11/02/2026.
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