Os contratos futuros da soja fecharam em alta nesta terça-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Apesar do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ter trazido poucas novidades, sinais de que a China poderá comprar mais soja dos Estados Unidos ajudaram a sustentar as cotações.
O relatório do USDA pode ser considerado de neutro a baixista. O quadro de oferta e demanda dos Estados Unidos não trouxe alterações. Os números globais foram negativos para os preços, principalmente a elevação da previsão da safra do Brasil para 180 milhões de toneladas.
Mesmo que o mercado se mostre cético sobre a capacidade da China comprar soja nos Estados Unidos neste momento – com o início da colheita no Brasil, a demanda dos asiáticos naturalmente se volta para a mais competitiva soja brasileira -, o dia foi marcado por declarações que ajudaram os produtos agrícolas.
Mesmo sem alterações no quadro de oferta e demanda, o próprio USDA admitiu que há a possibilidade do acordo comercial entre Pequim e Washington resultar em volume de compras acima das 12 milhões de toneladas acertadas em outubro passado. Essa hipótese foi colocada à mesa por Donald Trump na semana passada.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta terça-feira que a relação entre os EUA e a China pode ser muito produtiva. Bessent está se preparando para se reunir com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng nas próximas semanas, antes de uma visita planejada do presidente dos EUA, Donald Trump, à China, em abril.
O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou nesta terça-feira que vê o dólar mais fraco em um nível mais natural para estimular as exportações americanas e ampliar o crescimento econômico. Lutnick disse ainda que, por muitos anos, o dólar foi artificialmente valorizado por outros países para ampliar suas exportações aos Estados Unidos, mas que o presidente Donald Trump está mudando a dinâmica do comércio.
O relatório do USDA indicou que a safra norte americana de soja deverá ficar em 4,262 bilhões de bushels em 2025/26, o equivalente a 116 milhões de toneladas. A produtividade foi indicada em 53 bushels por acre. O USDA repetiu as projeções de dezembro.
Os estoques finais estão projetados em 350 milhões de bushels ou 9,53 milhões de toneladas, também sem alterações. O mercado apostava em carryover de 348 milhões de bushels ou 9,47 milhões de toneladas.
O USDA está trabalhando com esmagamento de 2,570 bilhões de bushels e exportações de 1,575 bilhão. Não houve mudança sobre a previsão do mês anterior.
O USDA projetou safra mundial de soja em 2025/26 em 428,18 milhões de toneladas. Em janeiro, a previsão era de 425,68 milhões de toneladas. Para 2024/25, a previsão é de 427,15 milhões de toneladas.
Os estoques finais para 2025/26 estão estimados em 125,51 milhões de toneladas, dentro da previsão do mercado de 125,5 milhões de toneladas. Em janeiro, o número era de 124,42 milhões. Os estoques da temporada 2024/25 estão estimados em 123,6 milhões de toneladas.
O USDA indicou safra brasileira em 2025/26 em 180 milhões de toneladas, contra 178 milhões do relatório anterior. O mercado apostava em 179,2 milhões. Para 2024/25, a estimativa foi mantida em 171,5 de toneladas. A produção da Argentina em 2025/26 está prevista em 48,5 milhões de toneladas, sem alteração. O mercado previa um corte de 400 mil toneladas. Para 2024/25, o número permaneceu em 51,11 milhões.
Os contratos da soja em grão com entrega em março fecharam com alta de 11,75 centavos de dólar, ou 1,05%, a US$ 11,22 1/2 por bushel. A posição maio teve cotação de US$ 11,37 1/2 por bushel, com elevação de 11,50 centavos de dólar ou 1,11%.
Nos subprodutos, a posição março do farelo fechou com alta de US$ 3,00 ou 1,00% a US$ 300,80 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em março fecharam a 57,27 centavos de dólar, com ganho de 0,58 centavo ou 1,02%.
Fonte: Agência Safras
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