Produzir milho na segunda safra está mais caro em Mato Grosso, e em Querência, no leste do estado, o cenário tem levado produtores a fazer contas cada vez mais apertadas antes de decidir pelo plantio. O custeio médio do milho na safra 2025/26 foi estimado em R$ 3.319,51 por hectare, alta de 2,56% em relação ao ciclo anterior, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
O aumento é puxado, principalmente, pelo encarecimento dos fertilizantes, que passaram a representar um custo médio de R$ 1.421,89 por hectare, avanço de 5,93% frente à safra passada. O desembolso com sementes ficou em R$ 777,49 por hectare, com alta de 1,91%, enquanto os defensivos alcançaram R$ 737,78 por hectare, incremento anual de 0,25%.
No campo, a elevação dos custos reforça o clima de cautela neste início de implantação das lavouras de milho safrinha. Em Querência a avaliação é de que a segunda safra só se sustenta se o planejamento for rigoroso.
“Tem que fazer muito bem a conta para não ter prejuízo para fazer uma segunda safra. Ela tem que se pagar”, afirma o presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo.
Além do aumento das despesas, outro fator pesa na tomada de decisão: a janela de plantio mais curta, consequência do atraso na colheita da soja. No município, o ritmo ainda lento da retirada da oleaginosa do campo já começa a impactar o calendário do milho.
De acordo com Frizzo, a estimativa é de que parte das áreas fique fora do período considerado ideal para o plantio do milho safrinha. “Nossa estimativa do que é plantado é de que 70% ainda está dentro da janela e que 30% vai ficar um pouco fora da janela do milho safrinha. Querência planta 300 mil, 350 mil hectares de milho e eu acredito que vai diminuir esse ano em função dessa janela apertada”, relata ao projeto Mais Milho.
O dirigente reforça que, historicamente, o calendário é determinante para o sucesso da cultura. “Até 20 de fevereiro ainda é uma janela boa. A partir do dia 20 até o final do mês já é uma janela arriscada, mas em março já não dá para pensar em plantar milho”, completa.
Mesmo diante dos riscos, há produtores que mantêm o milho como peça-chave na composição da renda da fazenda. É o caso do agricultor Neori Norberto Wink, que adotou estratégias para antecipar o plantio e ganhar flexibilidade nas operações.
Na propriedade, áreas com pivôs permitem iniciar o processo antes do calendário tradicional, ajudando a diluir riscos e melhorar o aproveitamento da estrutura. “970 hectares de pivô que nos permite fazer uma antecipação no processo e flexibiliza mais o uso de máquinas e da mão de obra”, explica ao Canal Rural Mato Grosso.
Segundo Wink, mesmo sem irrigação no milho safrinha, a antecipação faz diferença no resultado final. “Como é plantado uns 30 dias, 20 dias antes do que o processo normal das lavouras de sequeiro, a gente consegue agregar na produção do milho um percentual bem razoável que nos ajuda a manter isso aqui tudo de pé e cumprir os nossos compromissos”.
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