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Piso mínimo do frete eleva custos e reduz competitividade do agro, alerta Aprosoja-MT


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) voltou a manifestar preocupação com os impactos da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas sobre o agronegócio. De acordo com a entidade, a metodologia adotada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apresenta inconsistências que elevam os custos logísticos, especialmente em estados como Mato Grosso, desconsiderando a livre concorrência e a dinâmica real do escoamento de grãos.

O modelo, estabelecido em 2018 como resposta à paralisação dos caminhoneiros, é alvo de críticas por não ter sido modernizado. O setor produtivo defende que o tabelamento impõe preços que ignoram princípios constitucionais de liberdade de mercado. Para a Aprosoja-MT, a medida gera distorções permanentes em um cenário que já sofre com gargalos históricos, como o déficit de armazenagem.

Impacto da falta de armazéns

O presidente da entidade, Lucas Costa Beber, destaca que a infraestrutura limitada agrava os efeitos do frete. “A armazenagem, sem dúvida nenhuma, é o grande gargalo que temos da agricultura brasileira. Hoje, no estado do Mato Grosso, o maior estado produtor, nós conseguimos armazenar menos da metade da nossa produção e menos da metade desse armazenamento está na mão dos produtores”, explica.

Sem capacidade de estocagem suficiente, o produtor é obrigado a escoar a safra imediatamente após a colheita. Esse movimento concentra a demanda por transporte no pico da produção, elevando naturalmente os preços, que acabam inflados pelo piso mínimo.

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Distorções no frete de retorno

Outra crítica central reside na quebra da lógica do “frete de retorno”. Antes do tabelamento, caminhões que voltavam das zonas portuárias para o interior traziam fertilizantes e insumos a preços reduzidos, equilibrando a planilha de custos. Com o piso mínimo, essa flexibilidade desapareceu.

“O próprio CADE já reconheceu que o frete mínimo gera efeitos semelhantes aos de formação de cartel, ou seja, impacta todo o mercado. O frete mínimo desconsidera vários aspectos da realidade do nosso país, e esse aumento de custo não é absorvido pelo governo, mas pelo produtor, que não consegue repassá-lo no preço do seu produto. Esse frete acaba encarecendo e a sazonalidade é desconsiderada”, afirma Lucas Costa Beber.

Prejuízo ao caminhoneiro autônomo

A entidade também identifica falhas técnicas no cálculo da ANTT, como o uso de caminhões novos para calcular a depreciação, enquanto a frota brasileira tem idade média superior a 15 anos. Além disso, a priorização de eixos e distância em vez da tonelagem prejudica quem possui veículos menores. “Esses caminhoneiros, com caminhões de sete ou quatro eixos, ou LS acabam perdendo a competitividade”, ressalta o presidente.

Atualmente, a ANTT revisa a metodologia, mas informou que as contribuições de estudos técnicos não serão incorporadas na atualização prevista para este mês, coincidindo com o início da colheita. Para a Aprosoja-MT, a demora é prejudicial. “A produção brasileira mais uma vez vai ser lesada pela ineficiência e pela morosidade do Estado”, critica Beber.

O impasse aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade da medida. O setor produtivo teme que a manutenção do modelo atual favoreça concorrentes estrangeiros. “Porque senão o Brasil cada vez vai perder mais competitividade no mercado internacional e os nossos concorrentes vão abocanhar o mercado, exportar mais e gerar mais divisas para os seus países, algo que o Brasil poderia estar usufruindo”, conclui o dirigente.

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