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Mesmo com grande safra, embarques de açúcar da Índia não devem afetar vendas brasileiras


Os preços do açúcar permaneceram sob pressão em 2025 devido à oferta abundante do Brasil e de outros grandes produtores, enquanto a Índia, apesar da produção mais fraca em 2024/25, ofereceu apenas um apoio limitado aos preços globais do adoçante.

Análise da consultoria Hedgepoint destaca que em 2025/26, a produção do país asiático acelerou acentuadamente, reforçando a tendência global de baixa, embora os preços internos elevados e um provável aumento do MSP (Minimum Support Price — Preço Mínimo de Venda) restrinjam a viabilidade das exportações.

“Enquanto isso, a entressafra mais forte e as perspectivas estáveis para a cana e para o açúcar no Brasil limitam ainda mais qualquer alta no curto prazo”, afirma a analista de açúcar da Hedgepoint Lívea Coda.

Produção indiana supera expectativas

A produção indiana de 2024/25 ficou abaixo do esperado, com 26,1 milhões de toneladas após desvio de 3,4 milhões de toneladas para etanol. O país exportou 800 mil toneladas, com cerca de 200 mil toneladas remanescentes a serem carregadas para 2025/26.

Já na safra 2025/26, os resultados são significativamente mais positivos:

  • 16 milhões de toneladas produzidas entre outubro de 2025 e 15 de janeiro de 2026 (+20% ante o ano anterior);
  • 176,4 milhões de toneladas de cana moída, acima das 148,4 milhões de toneladas de 2024/25, durante o período;
  • Aumento da eficiência industrial para 9% (vs. 8,8%);
  • Estimativa de 31,8 Mt de produção líquida, com 3,7 Mt destinadas ao etanol.

“A recuperação da produção indiana é forte e consistente. A melhora na moagem, no rendimento e no ritmo da safra reforça o viés baixista do mercado global neste início de ano”, considera.

Exportações limitadas

Apesar da produção robusta, a capacidade exportadora da Índia segue limitada:

  • O governo já autorizou 1,5 milhão de toneladas em exportações;
  • Há potencial para mais 500 mil toneladas, porém apenas se houver maior competitividade nos preços globais;
  • A paridade de exportação está em aproximadamente 18,5 c/lb (açúcar bruto) e US$ 445/t (açúcar branco), níveis que inviabilizam novos negócios dadas as cotações internacionais deprimidas.

“A diferença entre os preços internos e internacionais fecha completamente a arbitragem. Hoje, não há incentivo econômico para o produtor indiano exportar volumes adicionais”, destaca.

Possível aumento no MSP

O Preço Mínimo de Venda (MSP) permanece em 31 rúpias indianas por quilograma (₹31/kg) desde 2017, mas tanto a ISMA quanto a NFCSF pressionam por um ajuste.

A proposta mais discutida sugere elevação para 41 rúpias indianas por quilograma (₹41/kg), alinhada ao aumento dos custos de produção e ao Fair Remunerative Price (FRP), que subiu quase 30% nos últimos seis anos.

“Qualquer aumento no MSP fortalece ainda mais o preço interno e torna a exportação ainda mais difícil nos níveis globais atuais, ou seja, mesmo quando há oferta forte, o fluxo para o mercado internacional pode permanecer restrito”, afirma a analista.

Segundo Lívea, tradicionalmente, o mercado reagiria com maior intensidade ao avanço da safra indiana e a paridade de exportação fechada. Porém, em 2025/26, o Brasil atravessa uma entressafra longe do aperto:

  • Estimativa atual para o Centro-Sul: 610 Mt de cana (acima da previsão anterior de 605 Mt);
  • Produtividade resiliente e perspectiva de continuidade do bom desempenho na próxima temporada.

Para a analista, esses fatores diluem qualquer impacto altista que a Índia poderia exercer. Além disso, fatores macroeconômicos também limitam altas:

  • Desvalorização da rúpia pode compensar preços internos mais fortes;
  • Excesso de oferta global reduz a sensibilidade do mercado a notícias altistas.

“A dinâmica internacional está trabalhando contra uma recuperação de preços. Até mesmo notícias potencialmente altistas acabam tendo efeito moderado porque o fundamento global segue amplamente ofertado”, avalia.

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agro.mt

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