Mato Grosso deu início à primeira etapa da vacinação obrigatória contra a brucelose, com foco em bezerras bovinas e bubalinas de 3 a 8 meses de idade. O estado, que detém um rebanho de 31,6 milhões de animais, projeta que 4 milhões de fêmeas recebam o imunizante nesta fase. A aplicação deve ser feita exclusivamente por médicos veterinários cadastrados no Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea-MT) ou por vacinadores sob sua responsabilidade.
O produtor que perder o prazo, que se encerra no dia 30 de junho, enfrentará sanções financeiras e administrativas. A penalidade é de uma Unidade Padrão Fiscal (UPF/MT) por animal não vacinado, valor que hoje alcança R$ 254,36. Além da multa, a propriedade fica impedida de emitir a Guia de Transporte de Animal (GTA), o que inviabiliza o comércio e a movimentação do gado.
O processo de regularização exige que o médico veterinário emita o atestado de vacinação em até 30 dias após o procedimento. Esse documento é comunicado de forma automática ao sistema do Indea-MT para avaliação. Para esta etapa, o prazo final de comunicação não pode ultrapassar o dia 2 de julho, garantindo que o status sanitário da propriedade esteja em conformidade com as exigências estaduais.
Além da obrigatoriedade para as fêmeas jovens, o Indea-MT recomenda medidas complementares para manter o controle da doença, que causa abortos e perdas produtivas severas. O órgão orienta a realização de exames regulares, a eliminação de animais doentes e a revacinação de novilhas com o imunizante RB51 antes da entrada no ciclo reprodutivo.
A brucelose ainda apresenta alta incidência no estado e é considerada uma zoonose, o que significa que pode ser transmitida aos seres humanos. O contágio ocorre pelo consumo de leite cru de vacas infectadas ou pelo contato direto com secreções e restos de parto, onde a concentração da bactéria é elevada.
“Quem manipula a vacina ou lida diariamente com o animal está mais exposto”, alerta o Indea sobre os perigos para os trabalhadores rurais.
A meta de imunizar 4 milhões de animais reforça o status sanitário de Mato Grosso e protege o setor pecuário de prejuízos econômicos diretos. A doença provoca inflamações nos testículos de machos e falhas reprodutivas nas fêmeas, comprometendo a eficiência do plantel. Com o cronograma em vigor, a fiscalização será intensificada para garantir que o estado mantenha os índices de cobertura vacinal necessários.
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