O ano de 2026 começou com a geopolítica novamente no radar para o mercado de fertilizantes, podendo trazer sensibilidade na oferta global: a invasão de Donald Trump na Venezuela alerta para possíveis impactos nos nitrogenados. A constatação é da analista e consultora de Safras & Mercado, Maisa Romanello.
“A Venezuela corresponde a cerca de 5% das importações brasileiras de ureia e, apesar de não ter grande relevância, a proximidade favorece quanto a necessidades imediatas e custo logístico”, explica.
Na Rússia, adverte a analista, a intensificação de ataques da Ucrânia, apesar de não influenciar diretamente nos preços, pode causar gargalos logísticos e aumentos nos custos de exportação.
Na Europa, a retirada das medidas do CBAM (custo por carbono) deve aliviar os preços pagos por fertilizantes pelos agricultores, favorecendo aumento de demanda. “O acordo entre União Europeia e Mercosul deve ter sua importância relacionada à formação dos preços das commodities agrícolas na América Latina, influenciando indiretamente no mercado de fertilizantes conforme o comportamento nas relações de troca”, pondera.
Pelo insumo, a Alemanha é o player mais relevante da União Europeia, com produção e exportação de KCl. “Assim, o acordo pode favorecer aumento da participação do país no fornecimento para o Brasil e trazer algum conforto quanto ao abastecimento”, exemplifica a consultora.
Outro ponto que deve seguir como definidor dos preços dos fertilizantes neste ano é a manutenção das cotas de exportação pela China, reduzindo a oferta global de fosfatados de alta concentração e ureia.
“Além disso, as cotações recordes da matéria-prima enxofre e a forte demanda indiana devem sustentar os preços dos fertilizantes ao longo do ano, com pouca margem para quedas”, aposta Romanello.
A Índia bateu recorde de importações em 2025, e a forte demanda deve se manter diante do crescimento da agricultura no país associado à queda na produção interna de fertilizantes. “Com a política de subsídios, com preços para os insumos congelados, as aquisições seguem mesmo diante de aumentos nos preços internacionais”, relata.
Para o Brasil, o ano deve ser de cautela. “No ano passado, importamos volume recorde de 43,5 milhões de toneladas de fertilizantes, com o principal motivo sendo a substituição das fontes de nutriente mais concentradas, como o MAP e ureia, por fontes menos concentradas, como o sulfato de amônio e Super Simples”, destaca a analista. Assim, foi necessário maiores quantidades para suprir o mesmo teor de nutriente.
A substituição se mostrou uma boa alternativa, que deve seguir nas próximas safras enquanto os fertilizantes de alta concentração se mantiverem mais caros. “O país enfrentou, e deverá continuar enfrentando, dificuldades quanto a crédito, juros elevados e instabilidades no dólar e nas cotações das commodities agrícolas”, aposta. “O bom planejamento das compras de fertilizantes segue sendo fundamento imprescindível para garantir margens nas lavouras”, completa.
Fonte: Agência Safras
Autor:Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Safras News
Site: Agência Safras
Diretoria de Atividades Especiais intensifica combate a grupos criminosos, tráfico de drogas e crimes informáticos…
O retorno do El Niño ao radar climático em 2026 acende um alerta importante para…
Procedimento no Hospital Regional garantiu rins e córneas para quatro pacientes; ação contou com apoio…
Imagem gerada por IA para o Canal Rural O número de usuários de canetas emagrecedoras…
Exposição “Fusca Lovers” reúne clássicos da Volkswagen no Goiabeiras ShoppingOs apaixonados por carros clássicos têm…
Massa de ar polar responsável pela queda nas temperaturas começa a perder força já nesta…