A estrutura da planta é um dos principais fatores que determinam a capacidade da cultura em captar os recursos ambientais e atingir altas produtividades. Por essa razão, produtores, agrônomos e pesquisadores conferem tamanha importância a esse atributo. A estrutura vegetal é um componente complexo, determinado pelo genótipo e suas características intrínsecas, que interagem com fatores como data de semeadura, densidade de plantas, arranjo espacial e outras variáveis ambientais (Satorre & Maddonni, 2018).
Particularmente na cultura do milho, a produtividade de grãos responde à densidade de semeadura até um ponto de saturação, a partir do qual o rendimento decresce devido à presença de plantas estéreis ou com baixa fixação de grãos. Em ambientes restritivos ou marginais, uma estratégia eficaz é a redução da densidade de semeadura (< 6,5 plantas m-2) associada ao uso de genótipos prolíficos e perfilhadores. Esses materiais não produzem apenas uma espiga no colmo principal, mas também emitem espigas nos perfilhos, expressão fenotípica potencializada em solos profundos.
Em genótipos não prolíficos, o número de grãos por planta aumenta de forma assintótica em relação à taxa de crescimento vegetal. Já em genótipos prolíficos, essa resposta é mais linear em torno da floração, devido à contribuição da espiga subapical. Para genótipos com perfilhamento, a relação entre o número de grãos e a taxa de crescimento também é linear, incluindo grãos estabelecidos em espigas de perfilhos com taxas de crescimento superiores às observadas em plantas que expressam apenas prolificidade (Figura 2).
Em resumo, o uso de baixas densidades em ambientes marginais permite alcançar elevadas taxas de crescimento por planta. Isso possibilita a expressão dos mecanismos de plasticidade, minimizando os impactos negativos da redução populacional sobre a produtividade final.
PILECCO, I. B. et. al. Ecofisiologia do milho visando altas produtividades. Santa Maria, ed. 2, 2024.
ROTILI, D. H. et al. Impacts of vegetative and reproductive plasticity associated with tillering in maize crops in low-yielding environments: A physiological framework. Field crops research, v. 265, p. 108107–108107, 2021. Disponível em < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0378429021000538 >, acesso: 20/12/2025
SATORRE, E. H.; MADDONNI, G. A. Spatial Crop Structure in Agricultural Systems. Agricultural Systems, p. 1–17, 2019. Disponível em: < https://link.springer.com/rwe/10.1007/978-1-4939-2493-6_223-3 >,acesso: 15/12/2025
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