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Consultoria confirma redução da área e da produção de arroz no Brasil em 2025/26


Foto: Divulgação/Epamig

A oferta de arroz no Brasil deve encolher no ciclo 2025/26, conforme revisão da consultoria Safras & Mercado. A nova estimativa indica redução de área plantada, menor produtividade média e impacto direto na produção nacional. O cenário reflete ajustes econômicos e a herança de estoques elevados da safra anterior.

Os dados foram atualizados pelo analista Evandro Oliveira e apontam um movimento estrutural no setor, com recuo mais forte fora das áreas tradicionais de cultivo irrigado. Mesmo com menor colheita, os estoques seguem influenciando a formação de preços.

Área e produção em queda

A estimativa da Safras mostra que a área plantada com arroz deve cair 11,5%, passando de 1,709 milhão para 1,513 milhão de hectares. A produção recua em ritmo ainda mais intenso, com baixa de 13,7%, de 12,509 milhões para 10,794 milhões de toneladas.

Segundo Oliveira, a diferença entre os percentuais revela mais do que uma simples redução de área. “O produtor reduziu o plantio e também investiu menos, o que acaba afetando o rendimento das lavouras”, afirma. De acordo com o analista, a restrição de capital limitou o uso de tecnologia e manejo em parte das regiões produtoras.

Reconfiguração regional e produtividade

O corte de área é mais acentuado fora da Região Sul. Tocantins, Centro-Oeste e Mato Grosso lideram as retrações, todas acima de 22%. Esse movimento reforça a concentração da orizicultura em áreas irrigadas, consideradas mais eficientes do ponto de vista produtivo.

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A produtividade média nacional deve cair 2,5%, de 7.318 para 7.133 quilos por hectare. Para Oliveira, a queda marca um retorno a patamares históricos após o desempenho elevado da safra passada. “O ajuste é essencialmente econômico, ligado à descapitalização do produtor, e não a fatores climáticos”, explica.

Estoques, comércio exterior e preços

Mesmo com oferta menor, os estoques finais de arroz continuam elevados. A projeção indica recuo de 10,22%, de 2,222 milhões para 2,016 milhões de toneladas. O volume ainda é considerado alto para provocar reação imediata nos preços.

“As sobras da safra anterior, somadas ao consumo interno mais lento, reduzem o impacto de uma produção menor sobre o mercado”, avalia o analista. Ele destaca que instrumentos como a flexibilização da Taxa CDO e mecanismos de apoio à comercialização podem acelerar o reequilíbrio ao longo do próximo ciclo.

No comércio exterior, as importações devem crescer 8%, puxadas principalmente pelo Paraguai, enquanto as exportações avançam 12,1%. Apesar disso, Oliveira pondera que o saldo positivo ainda não é suficiente para eliminar os excedentes. “O ajuste tende a ser gradual e depende do ritmo das exportações, do controle das importações em 2026 e, sobretudo, da recuperação do consumo interno”, conclui.

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