O ano de 2025 consolidou-se como um dos períodos mais críticos da história recente da orizicultura brasileira, marcado por desequilíbrio estrutural profundo entre oferta, demanda e preços, colapso de rentabilidade ao longo da cadeia e incapacidade do mercado interno de absorver o volume produzido, mesmo diante de quedas históricas de preços. A constatação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
O ano iniciou sob um equilíbrio extremamente frágil, sustentado mais por resistência vendedora do que por força real de demanda. No Rio Grande do Sul, os preços ainda orbitavam a casa de R$ 100 por saca de 50 quilos, mas já se encontravam desconectados dos fundamentos, dado um custo de produção estimado entre R$ 80 e R$ 90/saca. “A liquidez era baixa, com negócios pontuais, enquanto os produtores liberavam volumes mínimos apenas para honrar despesas imediatas”, lembra o consultor.
A indústria, por sua vez, encontrava-se confortavelmente abastecida por estoques de passagem próximos de 1 milhão de toneladas, adotando postura defensiva e sem agressividade na originação. O varejo seguia estagnado, com repasses limitados e promoções iniciais, sinalizando que o consumo não reagiria mesmo diante de eventuais reduções de preço. “O início da colheita na Fronteira Oeste ainda não pressionava a oferta, mas já indicava um ano de alta produtividade”, acrescenta.
Entre fevereiro e março, a crise começou a se materializar de forma mais clara. “Os preços passaram a registrar quedas consistentes semanais, mensais e anuais, com a média da saca gaúcha recuando de quase R$ 100 para menos de R$ 80”, exemplifica o analista. A liquidez permaneceu extremamente limitada, com compradores retraídos aguardando novas desvalorizações.
A colheita ganhou ritmo acelerado, especialmente no Rio Grand do Sul, Santa Catarina e no Centro-Oeste, ampliando a oferta em um momento em que a demanda interna já demonstrava clara incapacidade de absorção. As margens produtoras tornaram-se negativas em diversas regiões, enquanto a indústria passou a operar com ociosidade crescente (40% a 50%), comprando apenas o estritamente necessário. O varejo manteve preços agressivos ao consumidor final (R$ 15–18/5 kg), mas sem reação relevante no volume vendido, evidenciando uma demanda estruturalmente enfraquecida.
O segundo trimestre marcou a consolidação da crise. “Mesmo com a desaceleração da colheita e maior retenção por parte dos produtores, os preços continuaram pressionados, atingindo patamares entre R$ 77 e R$ 65 por saca”, pontua Oliveira. A safra 2024/25 confirmou produtividades excepcionalmente altas no Sul (exceto Paraná), acima de 9.000 kg/ha, elevando a produção nacional em um contexto de baixo consumo.
Os estoques de passagem tornaram-se uma preocupação crescente já neste período, configurando um excesso estrutural claro. A indústria passou a operar com margens negativas severas, reduzindo turnos e elevando a ociosidade para mais de 50%. O varejo intensificou promoções agressivas, com inacreditáveis R$ 12/5 kg, mas o efeito sobre o consumo foi marginal, reforçando a percepção de que o problema não era preço, mas sim demanda. “O mercado entrou em um ciclo de paralisia, com liquidez mínima e negociações pontuais”, lamenta
Na abertura da segunda metade do ano, o mercado entrou em lateralidade técnica, com pequenas reações pontuais incapazes de alterar a tendência de fundo. Os preços oscilaram entre R$ 60 e R$ 70/saca, com quedas anuais superiores a 40% em diversas praças. A crise passou a afetar de forma sistêmica a cadeia: produtores fortemente descapitalizados, mantendo retenção elevada, mas pressionados por vencimentos financeiros. Indústria com enorme capacidade ociosa, margens negativas persistentes e dificuldade de honrar compromissos. Já o varejo apresentando redução de espaço em gôndola e foco em produtos de maior giro e rentabilidade.
Diante desse cenário, tornou-se inevitável a discussão sobre redução de área para a safra 2025/26, com cortes entre 8% e 12% no Rio Grande do Sul e estados como o Tocantins podendo chegar até 50%, além de potencial retração ainda mais intensa nas áreas de sequeiro.
“A reta final do ano consolidou 2025 como um dos piores anos da história da orizicultura brasileira”, relata o analista. Os preços atingiram níveis aviltantes entre R$ 48 (padrão indústria) e R$ 57/saca (produto nobre), amplamente abaixo dos custos de produção (R$ 75 a R$ 90/saca) e até inferiores ao mínimo oficial (R$ 63,64/saca no Sul, exceto Paraná). A liquidez praticamente desapareceu, caracterizando um marasmo profundo típico de fim de ano, agravado pelo excesso de estoques remanescentes.
O plantio da safra 2025/26, destaca o consultor, confirmou uma redução nacional de área para algo entre 1,5 e 1,6 milhão de hectares, mas sem impacto imediato sobre preços, uma vez que o mercado permanece dominado pela herança do gigantesco excedente da safra 2024/25, estimado em mais de 2,3 milhões de toneladas.
Veja mais sobre o mercado de arroz:
Fonte: Rodrigo Ramos/ Agência Safras News
O avanço da tecnologia tem provocado mudanças profundas na forma como os brasileiros consomem entretenimento,…
Juiz de Barra do Garças teria julgado um processo sobre posse de terreno em ele…
De acordo com levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária do mês de maio, a…
Foto: Agência Brasil O Governo Federal anunciou, nesta segunda-feira (4), uma nova etapa do programa…
Crônicas Policiais Sistema de monitoramento com leitura de placas (OCR) identificou automóvel e guiou policiais…
Santa Rosa, reconhecida como Berço Nacional da Soja, sedia nos próximos dez dias, de 1…