A exportação brasileira de soja caminha para um recorde histórico em volume, mas sem o mesmo desempenho em receita. Já o milho apresenta um cenário distinto, com os embarques de acordo com o ano anterior, porém, com melhora na cotação média praticada no mercado internacional. A avaliação foi apresentada no Agroexport desta terça-feira (23).
Mesmo com uma semana ainda a ser contabilizada no fechamento do ano, o volume total exportado de soja já alcança um patamar inédito, superando qualquer outro período da série histórica. A avaliação indica que nunca o Brasil embarcou tanta soja quanto em dois mil e vinte e cinco. Apesar desse avanço expressivo nos volumes, a receita cambial apresenta pouca diferença em relação ao ano anterior, o que evidencia queda no valor médio recebido por tonelada.
O levantamento aponta que o mercado internacional pagou menos pela soja brasileira ao longo do ano, resultando em um recuo significativo no valor em dólar por tonelada. Ainda assim, o preço da soja nacional permaneceu descolado das cotações de Chicago, com valores internos relativamente mais elevados quando convertidos para a saca.
A análise do cenário mostra que o principal desafio do produtor rural não está na relação de preços com o mercado internacional, mas nos custos de produção. As margens seguem pressionadas, e o descolamento positivo em relação a Chicago não tem sido suficiente para garantir rentabilidade ao longo do ano.
No caso do milho, o cenário se mostra mais favorável. O volume embarcado permanece praticamente estável, enquanto a receita cambial avança, impulsionada pela valorização do dólar por tonelada. A análise aponta que, mesmo sem crescimento expressivo nos embarques, o preço médio pago pelo mercado internacional voltou a subir, sinalizando recuperação após anos de recuo.
Assim como ocorre com a soja, o milho também opera com preços descolados das cotações de Chicago. Esse movimento é sustentado pela forte demanda interna. No complexo soja, o consumo para biodiesel, o esmagamento e a exportação de farelo garantem liquidez ao mercado. Já no milho, o avanço do etanol tem papel central na sustentação dos preços.
Apesar da maior liquidez dos dois grãos, o cenário ainda exige cautela. O descolamento em relação ao mercado internacional não tem sido suficiente para recompor as margens do produtor rural, que atravessou o ano convivendo com custos elevados e rentabilidade apertada.
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