O maior projeto já realizado para medir, de forma padronizada e em escala nacional, os estoques de carbono acima e abaixo do solo em todos os biomas do país, foi lançado nesta sexta-feira (12). Trata-se do Carbon Countdown, iniciativa da Shell Brasil, Petrobras e do CCarbon/USP.
A iniciativa inclui áreas agrícolas e ecossistemas nativos e contará com investimento de cerca de R$ 100 milhões, provenientes da Cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) prevista nos contratos de exploração e produção de óleo e gás.
“O Carbon Countdown estabelece uma linha de base científica inédita para estoques de carbono, construída a partir de metodologias reconhecidas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organismo científico da ONU. Todos os dados serão abertos e disponibilizados publicamente, permitindo aplicações diversas, como conservação, modelagem climática e planejamento territorial”, destaca a Shell Brasil, em nota.
O diretor de Tecnologia da Shell Brasil, Olivier Wambersie, ressalta que serão cinco anos de muito trabalho integrado e produção de conhecimento.
“O projeto Carbon Countdown nos dá as ferramentas para criar uma base sólida e confiável de dados sobre os estoques naturais de carbono. Essas informações são essenciais para fortalecer projetos de créditos de carbono, iniciativas de restauração e ações de uso do solo, além de consolidar o papel da ciência brasileira nesse mercado emergente”, afirma.
De acordo com ele, as grandes entregas do Carbon Countdown são a geração de um banco de dados geoespacial público, com base em coletas representativas de amostras ambientais, implantação de infraestrutura de pesquisa, e a tropicalização confiável das metodologias internacionais à realidade dos biomas brasileiros, cultivos agrícolas e tipos de solo.
“Esse trabalho se torna ainda mais robusto com a participação de diversas universidades que agregam expertise e conhecimento local a essa iniciativa”, afirma a gerente executiva do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras (Cenpes), Lílian Melo.
Já o pesquisador coordenador científico do projeto, pesquisador do CCarbon/USP e Esalq/USP Maurício Roberto Cherubin, ressalta que a iniciativa coloca o Brasil em posição de destaque ao gerar, pela primeira vez, valores de referência nacionais sobre estoques de carbono no solo e na vegetação.
“Esses dados permitirão aprimorar metodologias de quantificação, reduzir incertezas e aumentar a competitividade de projetos de restauração e produção sustentável. O rigor técnico-científico aplicado no desenvolvimento do inventário, aliado ao conhecimento das universidades e centros de pesquisa, cria uma base sólida para futuras inovações e posiciona o país na vanguarda do setor, com potencial de referência para outras regiões do mundo”, afirma.
O levantamento vai abranger 6.500 áreas demarcadas, com mais de 250 mil amostras de solo e um número ainda maior de amostras de vegetação e outras 400 mil amostras de atributos complementares, caracterizando o maior inventário do tipo já realizado.
O projeto implementa uma rede nacional de pesquisa, com polos regionais nos seis biomas brasileiros Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa.
De acordo com os envolvidos no projeto, ao produzir uma base de dados realista e cientificamente validada, o Carbon Countdown fornece segurança para investidores e formuladores de políticas, apoia a transição para uma economia de baixo carbono e amplia o protagonismo do Brasil no mercado global de créditos de carbono, por meio de soluções baseadas na natureza, como projetos agroflorestais, de conservação e reflorestamento.
O Carbon Countdown também investe na formação de equipes, no fortalecimento de laboratórios distribuídos pelo país e na criação de uma base integrada para armazenamento, análise e compartilhamento dos resultados, com liderança científica do CCarbon/USP centro de excelência em ciências agrárias, ambientais, biológicas e sociais.
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