O controle químico em lavouras comerciais é uma das estratégias de manejo mais utilizadas para reduzir a interferência das pragas em lavouras agrícolas. Ainda que distintos métodos de controle possam ser adotados de forma integrada ao longo do ciclo da cultura e durante os períodos entressafra, o uso de inseticidas químicos é praticamente indispensável no sistema de produção de grãos.
A elevada pressão de pragas, bem como o grande potencial de algumas espécies em reduzir a produtividade e depreciar grão, torna praticamente inevitável o emprego de inseticidas químicos no manejo fitossanitário das lavouras. Sobretudo, visando um manejo consciente e sustentável, sem perder potencial produtivo, é preciso compreender a dinâmica populacional das pragas, a biologia delas e as características dos inseticidas disponíveis no mercado, especialmente com relação a residualidade e intervalos de pulverização.
Pragas consideradas sugadoras com a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis e Leptodelphax maculigera) e a mosca-branca (Bemisia tabaci), tem demonstrado crescente participação em lavouras de milho e soja respectivamente, como elevado potencial em reduzir a produtividade dessas culturas.
No caso da cigarrinha-do-milho, as perdas de produtividade em milho podem chegar a 100% nos casos mais severos, inviabilizando a lavoura (Cota et al., 2021). Não menos importante, a mosca-branca também pode inviabilizar lavouras de soja, com danos que podem chegar a 80% (Tomquelski et al., 2020).
De forma semelhante, a mosca-branca apresenta um curto ciclo e alta fecundidade. Em média, o ciclo de vida da mosca-branca, do ovo ao adulto, dura cerca de 20 dias, enquanto a longevidade dos adultos é de aproximadamente 19 dias, além disso, a fêmea pode ovipositar de 100 e 300 ovos (IRAC, 2013).
Sob condições ambientais favoráveis, especialmente de temperatura e umidade, o desenvolvimento das pragas é acelerado, reduzindo o intervalo entre gerações e favorecendo aumentos populacionais. Nesses cenários, o intervalo entre pulverizações tende a ser encurtado, exigindo maior frequência de aplicações para garantir um controle efetivo.
O efeito residual dos inseticidas aplicados no tratamento de sementes, embora proporcione proteção inicial, é geralmente limitado a 10 a 15 dias após a semeadura. Considerando que o período crítico de ocorrência da cigarrinha-do-milho se estende até cerca de 40 dias após a emergência, e que a mosca-branca pode ocorrer tanto em estádios vegetativos quanto reprodutivos da soja, o monitoramento periódico das lavouras torna-se essencial para definir o momento oportuno do controle.
Em condições ideais de temperatura, o ciclo biológico desses insetos é acelerado, encurtando o intervalo entre ovo e adulto e resultando em explosões populacionais. Nessas situações, mesmo com inseticidas de maior residual, frequentemente são necessárias reaplicações em intervalos de 5 a 7 dias para reduzir reinfestações (Agrofit, 2025).
Para o controle da cigarrinha-do-milho, diferentes estratégias podem ser integradas ao manejo, tanto no período pré como pós-safra, incluindo o uso de híbridos mais tolerantes, a rotação de culturas com espécies não hospedeiras e a eliminação de plantas voluntárias de milho (milho tiguera). Já para a mosca-branca, devido ao seu caráter polífago, o vazio sanitário é uma das medidas mais eficazes (Roggia, et al., 2020). Entretanto, no sistema produtivo da soja, o controle de B. tabaci ainda é realizado predominantemente com inseticidas químicos, o que eleva o risco de seleção de populações resistentes (Tomquelski et al., 2020)..
O manejo da resistência requer a alternância de produtos com diferentes mecanismos de ação, sempre associados ao uso racional de inseticidas, de forma a reduzir a pressão de seleção (Tomquelski et al., 2020). Embora a cigarrinha-do-milho apresente alta suscetibilidade a inseticidas como metomil, carbosulfan e acefato (Machado et al., 2024), a inclusão de moléculas com mecanismos distintos, como os inseticidas fisiológicos, a exemplo do Fera® (buprofezina), tem demonstrado resultados satisfatórios tanto para cigarrinha quanto para mosca-branca.
Os inseticidas fisiológicos diferenciam-se por não atuarem diretamente sobre o sistema nervoso, mas por interferirem em processos biológicos fundamentais, como a síntese de quitina, comprometendo o crescimento e a reprodução dos insetos, e portanto, atuando sobre ninfas. Quando inseridos em programas de manejo, além de ampliar a eficácia do controle, contribuem para retardar a evolução da resistência. Estudos também indicam que a buprofezina, além de controlar a cigarrinha, reduz a fertilidade da praga, diminuindo a quantidade e a viabilidade dos ovos depositados (Sipcam Nichino, s. d.).
Vale ressaltar que o sucesso do manejo das pragas sugadoras depende não apenas do posicionamento correto dos inseticidas quanto ao ingrediente ativo, mecanismo de ação e intervalo de reaplicação, mas também do monitoramento constante das populações, sendo crucial, embasar a tomada de decisão com base nas recomendações técnicas para a cultura.
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