A profundidade de semeadura da soja é um dos principais fatores que influenciam no adequado estabelecimento da cultura no campo. Quando a semeadura é realizada de forma desuniforme, aumenta-se a variabilidade na emergência das plântulas, o que compromete componentes de produtividade essenciais, como o número de plantas por área. Além disso, semeaduras mais profundas tendem a reduzir a porcentagem de emergência, impactando diretamente o estande final da lavoura.
Isso ocorre porque o maior volume de solo sobre as sementes eleva a barreira física que as plântulas precisam transpor, prolongando também o período em que permanecem suscetíveis à ação de patógenos. Como consequência, o tempo até a emergência é ampliado (Figura 1a e 1b), independentemente do nível de vigor das sementes, aumentando o risco de falhas no estabelecimento inicial da cultura (Conceição; Reges; Santos, 2023).
Em solos propensos ao selamento superficial ou alagamento eventual, semeaduras em profundidades maiores tendem a dificultar a emergência das plântulas. De forma oposta, semeaduras muito rasas aumentam as chances de desidratação das sementes ou das radículas e dos caulículos, principalmente em regiões quentes e sujeitas a veranicos. Estima-se que a semente de soja necessite absorver no mínimo 50% do seu peso em água para uma germinação adequada (Balbinot Junior et al., 2020).
Quando não ocorre chuva após a semeadura, profundidades muito rasas podem impedir que as sementes encontrem umidade suficiente para realizar a embebição, etapa essencial à germinação. Nessas condições, o processo germinativo pode ser significativamente prejudicado ou até mesmo comprometido. Além da escolha adequada da profundidade, é indispensável assegurar um bom contato semente/solo, o que exige o ajuste correto da semeadora para fornecer a carga vertical ideal sobre as sementes.
Apesar de muitas vezes receber menos atenção do que a distribuição de sementes (falhas, duplas e aceitáveis), a profundidade de semeadura exerce efeito direto sobre o estabelecimento inicial da lavoura e sobre a população final de plantas. Por isso, constitui um parâmetro central na avaliação da plantabilidade da cultura. Além disso, pode ser utilizada estrategicamente como ferramenta de manejo, sendo ajustada conforme as condições hídricas e a temperatura do solo para favorecer uma emergência mais uniforme e eficiente.
Em termos práticos, pesquisas demonstram que o ideal é que a semeadura da soja ocorra em profundidades variando entre 3 a 5 cm. (Balbinot Junior et al., 2020).
BALBINOT JUNIOR, A. A. et al. INSTAÇÃO DA LAVOURA. Tecnologias de Produção de Soja, cap. 4, Embrapa Soja, Sistemas de Produção, n. 17, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/223209/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/223209/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 26/11/2025.
CONCEIÇÃO, A. E. D.; REGES, N. P. R.; SANTOS, M .P. INFLUÊNCIA DO VIGOR, DIÂMETRO DA SEMENTE E PROFUNDIDADE DE SEMEADURA NO ESTABELECIMENTO INICIAL DA SOJA. Research, Society and Development, 2023. Disponível em: < https://rsdjournal.org/rsd/article/view/40260/32953 >, acesso em: 26/11/2025.
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