O calor extremo e a irregularidade das chuvas têm colocado à prova a resistência dos produtores rurais em Paranatinga, no sudeste de Mato Grosso. O plantio da soja, que em outros anos já estaria praticamente concluído nesta época, avança de forma lenta e desigual, com muitos agricultores parados há dias à espera de umidade suficiente no solo.
Segundo o Sindicato Rural, o município deve cultivar mais de 400 mil hectares de soja nesta safra, mas pouco mais da metade da área foi semeada até agora. A preocupação é geral: a cada dia de sol forte e solo seco, cresce o risco de perdas na germinação e de inviabilidade da segunda safra de milho.
O presidente do Sindicato Rural de Paranatinga, Carlinhos Rodrigues, conta ao Patrulheiro Agro desta semana que a rotina no campo tem sido de espera e incerteza. “Estamos com a plantadeira na lavoura há 20 dias. Planta dois, três dias. Nós temos situações de ficar dez parados por falta de chuva. O grande vilão nesse caso aí é a alta temperatura”, afirma.
Em outros anos, ele explica, o plantio já estaria encerrado em outubro. Agora, o atraso muda todo o planejamento. “Fica a preocupação, porque tudo se inicia com um plantio de qualidade. Se não tiver um bom início, como esperar resultado com excelência lá na frente?”, diz.
A irregularidade das chuvas também tem causado prejuízo dentro das propriedades. “Tem área com mais de 150 milímetros acumulados e outra, aqui mesmo, que não tem 40 milímetros”, relata Rodrigues sobre a situação em sua propriedade. A diferença de volume pluviométrico entre talhões vizinhos tem levado muitos produtores a refazer parte do trabalho. “Se tiver que fazer um replantio hoje é caríssimo. Tem situações que é até inviável”.
Enquanto a reportagem do programa do Canal Rural Mato Grosso ocorria, o som da garoa começou a aparecer no fundo, ascendendo ainda mais a chama da esperança do produtor. “Olha que bênção. Isso é o que a gente esperava faz dias. Estamos acreditando que agora a chuva vai vir”.
Na fazenda Sombra da Mata, o agricultor Robson Weber enfrenta o mesmo desafio. Ele explica que a última chuva significativa caiu há quase 40 dias. De lá para cá, o solo foi castigado pelo calor e pela baixa umidade, colocando em risco os 300 hectares já plantados.
“A semente está no solo, esperando a chuva. O clima está totalmente diferente, apesar das previsões mostrarem um ano de La Niña”, conta. Segundo ele, o atraso obrigou muitos a arriscar o plantio em condições mínimas de umidade. “Parte está nascendo e uma parte se não chover não vai nascer, tem sementes que já germinaram, já emergiram e tem sementes que está ali intacta, ficou na poeira, que a umidade era muito baixa”.
O custo de replantar é alto e pesa no bolso, também ressalta o produtor. Segundo ele, a rentabilidade dessas áreas praticamente vai embora. “Sem dúvida essa área pode se dizer que não vai ter rentabilidade, uma produtividade mais expressiva, que produza bem, mas o replantio é o dobro do custo”, explica.
Ele comenta que alguns gastos acabam sendo reduzidos, mas o impacto financeiro ainda é grande. “Não bem o dobro porque você acaba não jogando fertilizante novamente, mas o custo de óleo diesel, tratamento de semente e de semente é o dobro. Então praticamente a lucratividade dessa área replantada foi embora, não vai ter lucro nela”.
Ainda assim, a fé é o que o move a seguir. “A chuva está muito próxima, estamos confiantes que ela vai vir e salvar a lavoura. Essa é a grande esperança do produtor: a chuva na hora certa, para conseguir fazer um bom plantio, um bom estande de plantas, bem nascido. Uma lavoura bem nascida, 50% da produtividade está aí”.
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