Os preços do chocolate, que pesaram no bolso dos consumidores em 2024 e 2025, podem começar a ceder em 2026. A expectativa é de que a forte queda nas cotações do cacau traga algum alívio para a indústria e reduza a pressão sobre os reajustes de preços ao consumidor.
Grandes fabricantes, como Mondelez International e Hershey’s, sinalizam um cenário mais favorável. O diretor financeiro da Mondelez, Luca Zaramella, afirmou que, embora o cacau ainda esteja caro, o movimento de queda é consistente e deve melhorar as margens das companhias. A Hershey’s também revisou para cima sua projeção de receita para 2025, indicando otimismo com os custos de produção.
O recuo dos preços está ligado à recuperação da oferta mundial de cacau. Após uma safra fraca em 2024, países produtores como Gana, Costa do Marfim e Equador registraram melhores condições climáticas neste ano. Segundo a Organização Internacional do Cacau (ICCO), o mercado deve passar de um déficit de quase 500 mil toneladas em 2024 para um superávit de cerca de 150 mil toneladas em 2025.
O contrato futuro do cacau negociado em Nova York caiu cerca de 48% desde o início do ano, sendo cotado a US$ 6.058 por tonelada — quase metade do recorde de dezembro de 2024, quando chegou a ultrapassar US$ 12 mil.
Para a economista Megan Fisher, da consultoria Capital Economics, o efeito dessa queda tende a chegar ao varejo a partir de 2026. “As fabricantes costumam comprar cacau com até 12 meses de antecedência. Por isso, os preços menores devem começar a se refletir nos chocolates vendidos no Halloween do próximo ano”, avaliou.
A analista pondera, porém, que o fenômeno La Niña — previsto para seguir ativo em 2026 — pode elevar o risco de doenças nas plantações, o que ainda exige cautela. Mesmo assim, o setor aposta em um ciclo de preços mais equilibrados depois de dois anos de forte volatilidade.
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