O Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária em Goiás (Ifag ) intensificou o monitoramento do plantio de soja na temporada 2025/26, diante de um atraso generalizado em relação à safra anterior e à média histórica. Até a última terça-feira (28), o avanço no estado alcançava 15,96% dos 5 milhões de hectares previsto. O cenário, então, já começa a comprometer o calendário ideal da safrinha de milho em 2026.
Segundo o Ifag, o ritmo lento reflete a transição hídrica atípica observada em outubro, marcada por chuvas irregulares e pela influência do fenômeno La Niña, que concentra precipitações em períodos curtos e desiguais.
“Apesar do fim do vazio sanitário em 25 de setembro, muitos produtores aguardam maior regularidade. Apenas na última semana, com volumes acima de 50 milímetros em regiões-chave, o plantio avançou de forma mais consistente, atingindo cerca de 800 mil hectares”, explica Leonardo Machado, gerente técnico do Ifag.
O sudoeste goiano concentra os maiores avanços, com Montividiu (70% dos 135,2 mil hectares), Rio Verde (50% dos 430 mil hectares), Mineiros (40% dos 126 mil hectares) e Chapadão do Céu (30% dos 100 mil hectares) liderando o ritmo.
Já no entorno do Distrito Federal e no sudeste do estado, as condições ainda não permitem início amplo. As cidades de Cristalina e Luziânia estão em torno de 3%, enquanto municípios como Catalão e Silvânia permanecem paralisados, à espera de chuvas mais regulares para garantir boa emergência e uniformidade de estande.
Diante desse cenário, o Ifag reforça as recomendações técnicas para mitigar riscos. “Estamos orientando o escalonamento do plantio e a priorização de cultivares de ciclo médio ou precoce, especialmente para preservar a janela da safrinha de milho”, afirma Machado.
“Com o atraso na soja, há risco de empurrar o milho para a segunda quinzena de fevereiro, o que aumenta a exposição a déficit hídrico e a eventos climáticos adversos durante a colheita”, completa.
A preferência dos produtores pelo milho na segunda safra, impulsionada pela liquidez e pela diversidade de instrumentos de comercialização, como barter e travamento de preços, reforça a importância de manter o alinhamento com o calendário agrícola.
Enquanto a Conab projeta aumento de 3,6% na produção nacional de soja, totalizando 177,64 milhões de toneladas, o Ifag adota uma estimativa mais cautelosa para Goiás, com alta de apenas 0,5% diante das incertezas climáticas regionais.
“Nossa análise considera não apenas os dados de campo, mas também a variabilidade espacial das condições hídricas”, diz Machado. “As condições no estado seguem predominantemente favoráveis, com baixo nível de restrição hídrica, mas a primeira quinzena de novembro será decisiva para consolidar o estande e a umidade do solo.”
O Ifag segue publicando boletins técnicos diários e atualizações em tempo real, em parceria com sindicatos rurais e plataformas digitais, para apoiar as decisões estratégicas dos produtores e fortalecer a cadeia agropecuária goiana com base em dados precisos e atualizados.
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