Nesta quarta-feira (29), a China voltou a comprar soja dos Estados Unidos após quase cinco meses sem aquisições do país norte-americano. Os embarques somam cerca de 180 mil toneladas e têm entrega prevista entre dezembro e janeiro, marcando as primeiras compras chinesas da nova safra americana.
Para o comentarista Miguel Daoud, o movimento é mais simbólico do que comercial. Segundo ele, o que realmente importa é o cenário estrutural do mercado global de soja, e esse segue favorecendo o Brasil.
“O mercado confia no Brasil, e isso não muda por causa desse cenário. A reaproximação China-EUA é mais narrativa de mercado do que realidade. A soja brasileira continua sendo o eixo do comércio mundial.
Daoud avalia que a compra ocorre às vésperas do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping e tem tom diplomático. “A China está mandando um recado de que estão abertos ao diálogo. Mas, na prática, a base do comércio continua vindo do Brasil.”
Ele pondera que, se a China ampliar ligeiramente as compras americanas em novembro, os preços em Chicago podem até sofrer uma correção. “É normal, mas isso é ruído de curto prazo”, explicou.
O analista destaca que o país mantém vantagens competitivas consolidadas. “Estamos entregando volume, qualidade e regularidade. Já são mais de 104 milhões de toneladas exportadas, com câmbio favorável e uma logística que, mesmo com desafios, está funcionando”, afirmou.
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